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Polo Industrial de Manaus amplia importações apesar das tensões globais

Sem sofrer impacto direto dos conflitos externos, setor amplia compras de insumos e, com isso, projeta crescimento da sua produção 

Em meio a um cenário internacional marcado por instabilidades geopolíticas, especialmente no Oriente Médio, o (PIM) Polo Industrial de Manaus segue demonstrando resiliência e dinamismo. Dados recentes indicam que, até o momento, os conflitos na região não impactaram o fluxo de importações de insumos para a região, que continua operando em níveis elevados e sustentando o crescimento industrial da Amazônia.

Segundo dados do PEA (Painel da Economia Amazonense), as importações do PIM já subiram 5,7% no primeiro trimestre deste ano em relação ao mesmo período de 2025. Só em março, as importações somaram US$ 1,3 bilhão, com alta de 2,8% em relação a fevereiro e crescimento de 10% na comparação com março de 2025.

Esse desempenho reforça um ambiente de estabilidade e confiança, mesmo diante de um cenário externo desafiador. As aquisições de insumos seguem em patamares elevados, alinhadas ao forte desempenho observado em 2025, um dos melhores anos recentes para o polo.

“Os dados mostram que o Polo Industrial de Manaus continua operando com robustez, mesmo diante das incertezas internacionais. Até o momento, não há impacto relevante dos conflitos no Oriente Médio sobre as nossas importações, o que reforça a solidez da cadeia produtiva instalada no Amazonas”, explica André Ricardo Costa, coordenador de Indicadores do Cieam.

Expansão produtiva

O desempenho das importações reflete diretamente o aquecimento de setores estratégicos da indústria local. Entre os destaques estão:

  • Eletroeletrônicos e Bens de Informática, com aumento relevante na importação de módulos de cristal líquido e processadores, indicando fortalecimento da produção de TVs e retomada de placas de circuito impresso (PCI);
  • Setor Mecânico, impulsionado pela importação de placas-mãe;
  • Termoplástico, com maior entrada de polipropileno sem carga;
  • Químico, com forte crescimento na importação de paládio.

Além disso, segmentos como eletrônicos, duas rodas, químico e termoplástico seguem apresentando níveis consistentes de faturamento ao longo de 2026, reforçando a perspectiva de continuidade da atividade industrial em alta.

“O crescimento das importações está diretamente ligado à preparação da indústria para ampliar a produção. Vemos sinais claros de retomada e fortalecimento, especialmente nos segmentos de tecnologia e bens duráveis”, acrescenta André.

Conflitos internacionais ainda não impactam cadeia produtiva

Apesar das preocupações globais com possíveis impactos logísticos e de custos, os dados mostram que o PIM ainda não registra reflexos diretos dessas tensões. Um exemplo é a ausência de aumento relevante na importação de compressores, insumo-chave para a produção de condicionadores de ar, o que indica que não houve mudança estrutural na cadeia produtiva até o momento.

“Monitoramos continuamente os indicadores e, até agora, não há sinais de ruptura ou pressão significativa sobre o abastecimento de insumos. A indústria segue operando dentro da normalidade planejada”, destaca o coordenador do CIEAM.

Perspectivas positivas para 2026

O desempenho robusto das importações, aliado ao comportamento positivo dos principais setores industriais, aponta para um início de ano com bases sólidas para crescimento. A expectativa é de continuidade da expansão produtiva ao longo de 2026, especialmente nos segmentos de maior valor agregado, como eletroeletrônicos e bens de informática.

“Mesmo em um cenário global incerto, o Polo Industrial de Manaus reafirma sua competitividade e importância estratégica para a indústria brasileira. A tendência é de continuidade do crescimento, com ganhos relevantes em produção e investimentos”, finaliza o especialista.

Sobre o PEA

O Painel Econômico do Amazonas é uma análise da conjuntura econômica do Amazonas elaborada mensalmente pelo CIEAM com base em informações públicas de instituições como IBGE, Suframa, ComexStat e Abraciclo, além de utilizar dados oficiais do Ministério do Trabalho e Emprego. O principal dado disponível para análise é o IBCR-AM, número-índice publicado mensalmente pelo Banco Central como versão regionalizada do IBC-Br, a estimativa mensal do PIB brasileiro. O Banco Central compõe o IBCR-AM pelos resultados das pesquisas mensais efetuadas pelo IBGE, incluindo os principais setores da economia: Indústria, Comércio, Serviços e Agropecuária.

Sobre o CIEAM

O Centro da Indústria do Estado do Amazonas (CIEAM) é uma entidade empresarial com personalidade jurídica, ligada ao setor industrial, que tem por objetivo atuar de maneira técnica e política em defesa de seus associados e dos princípios da economia baseada na Zona Franca de Manaus (ZFM). Implementada pelo governo federal em 1967, com o objetivo de viabilizar uma base econômica no Amazonas e promover melhor integração produtiva e social entre todas as regiões do Brasil, a Zona Franca de Manaus é um modelo de desenvolvimento regional bem-sucedido que devolve aos cofres públicos mais da metade da riqueza que produz. Atualmente, são 600 empresas instaladas no Polo Industrial de Manaus (PIM). O estado do Amazonas tem 578.208 mil empregos, dos quais 134 mil são diretos do PIM e garantem a preservação de 97% da cobertura florestal do Amazonas. Encerrou 2025 com um faturamento de R$ 228 bilhões.

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