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Câmara vota hoje pela anulação de decreto que aumenta IOF

O Palácio do Planalto foi pego de surpresa com a decisão do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), de pautar para esta quarta-feira (25) a votação do projeto de decreto legislativo que susta os efeitos do aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), decretado pelo governo em maio. O anúncio foi feito na noite de ontem (23), às 23h35, por Motta em seu perfil na rede X, antigo Twitter, sem aviso prévio à equipe de articulação política do Executivo. O Plenário tem sessão marcada para as 13h55.

A decisão de pautar o decreto do IOF provocou reações na base aliada. O líder do PT na Câmara, deputado Lindbergh Farias (RJ), afirmou ter sido surpreendido pela inclusão do tema na pauta e questionou a condução da votação.

“Como deputado e líder do PT, fui surpreendido com a divulgação da pauta de votações de amanhã. Entre os temas a serem apreciados, está o PDL que anula o decreto do IOF. Em sessão virtual? Esse é um assunto sério demais para o país”, escreveu, em publicação nas redes sociais.

Hugo Motta, por sua vez, justificou a iniciativa como um ato de responsabilidade do Parlamento diante da ausência de diálogo por parte do governo, em coletiva de imprensa realizada na última semana.

“Não dá para aceitar que o Executivo ignore a vontade do Parlamento. O aumento do IOF foi feito sem diálogo, sem considerar o impacto para a população e o setor produtivo. Precisamos corrigir isso”, afirmou.

Em outra coletiva, o deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder da oposição, reforçou a crítica ao governo: “A sociedade não pode ser penalizada com mais aumento de imposto. Essa pauta é de interesse nacional. O governo precisa entender que o Congresso não é carimbador automático”.

A ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, deve se reunir com Hugo Motta ainda hoje, na tentativa de recompor os canais de diálogo. O Planalto, no entanto, avalia que a relação com o presidente da Câmara precisará ser “reajustada com urgência” para evitar novas derrotas e preservar a governabilidade.

A expectativa entre líderes partidários é de que o texto seja aprovado com ampla maioria, já que há insatisfação generalizada com o aumento do imposto. Parlamentares da oposição, do Centrão e até da base governista indicaram voto favorável à revogação do decreto. A votação ocorre em meio a um ambiente de pressão sobre o governo, que busca evitar o acirramento da crise política e tenta manter a agenda econômica sob controle.

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