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Barcelos, no Amazonas, perdeu 35 mil hectares de áreas alagadas

Quase metade das cidades do Brasil tinha, em 2025, menos água em seus rios, lagos e áreas alagadas do que o normal. E chuvas ficam abaixo da média no Amazonas nesta primeira quinzena de junho.Previsão é de tempo mais seco.

Barcelos, no Amazonas, está entre os municípios do País que mais perderam área de rios e lagos em 2025, aparecendo em 5º lugar, com perda de 6,3%, ou 35 mil hectares, de acordo com dados do MapBiomas Água, iniciativa que usa imagens de satélite e inteligência artificial para mapear, mês a mês, toda a superfície coberta por água no território brasileiro desde 1985. O levantamento mais recente foi divulgado nesta terça-feira (16).

Cidades com maior perda de água

Em 2025, 2.511 municípios — 45% do total do país — tiveram superfície de água abaixo da própria média histórica, calculada entre 1985 e 2025. Entre os municípios com as maiores perdas estão:

Corumbá (MS): -474 mil hectares (-56,7%)
Cáceres (MT): -189 mil hectares (-54,8%)
Poconé (MT): -103 mil hectares (-61,0%)
Aquidauana (MS): -71 mil hectares (-69,7%)
Barcelos (AM): -35 mil hectares (-6,3%)
Rorainópolis (RR): -23 mil hectares (-22,1%)
Pimenteiras do Oeste (RO): -14 mil hectares (-74,7%)
Chaves (PA): -14 mil hectares (-4,7%)
Barão de Melgaço (MT): -12 mil hectares (-30,1%)
Santo Antônio de Leverger (MT): -11 mil hectares (-51,0%)
Vila Bela da Santíssima Trindade (MT): -10 mil hectares (-54,8%)
Caracaí (RR): -9 mil hectares (-5,5%)
Alto Alegre dos Parecis (RO): -8 mil hectares (-79,0%)
Amapá (AP): -8 mil hectares (-19,3%)
Tartarugalzinho (AP): -7 mil hectares (-29,4%)

Quase metade das cidades do Brasil tinha, em 2025, menos água em seus rios, lagos e áreas alagadas do que o normal. E esse retrato vem se repetindo há pelo menos quatro décadas: o país perdeu o equivalente a uma área maior que o estado de Sergipe em superfície de água desde 1985.

A pesquisa mostra uma redução persistente da superfície coberta por água no país e ajuda a dimensionar os efeitos de secas mais frequentes e de mudanças no regime de chuvas. Especialistas associam esse cenário a uma combinação de fatores, como mudanças climáticas, desmatamento, eventos climáticos extremos e alterações no uso do solo.

A redução da superfície coberta por água pode pressionar o abastecimento das cidades, a geração de energia, a indústria, a agricultura e o consumo humano. O levantamento, porém, mede a extensão de áreas cobertas por água vista por satélite, e não diretamente o volume disponível, a qualidade da água ou a segurança hídrica de cada município.

Verão amazonônico

As chuvas perderam força em Manaus na primeira metade de junho, acompanhando a transição para o verão amazônico. A previsão é de que o tempo fique mais seco em todo o estado na segunda quinzena de junho.

Dados meteorológicos apontam que a capital amazonense registrou apenas 66 milímetros de precipitação até a primeira quinzena do mês, o equivalente a 38% do volume esperado para o período.

A previsão para junho é de 173 milímetros de chuva na capital, número bem inferior ao registrado em maio, quando eram esperados 313 milímetros. Com o mês chegando à metade, o acumulado ainda não atingiu nem metade da média prevista.

A tendência é que o cenário de chuvas abaixo da média continue nos próximos dias, não apenas em Manaus, mas em diversas regiões do Amazonas. Segundo a previsão, o tempo chuvoso deve perder intensidade em todo o estado ao longo desta semana.

Isso não significa, porém, que as precipitações deixarão de ocorrer. Pancadas rápidas e isoladas ainda podem ser registradas em alguns municípios, mas com volumes menores do que os observados nos últimos meses, principalmente no sul do Amazonas.

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