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Deolane vira ré sob acusação de lavar dinheiro do PCC

A Justiça paulista aceitou a denúncia contra a advogada e influenciadora digital Deolane Bezerra sob acusação de lavar dinheiro para a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).

Com isso, Deolane, que está presa na Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no interior do estado, passa a ser ré no processo e terá dez dias para apresentar resposta à acusação.

Marcos Willian Herbas Camacho, o Marcola, principal chefe da facção criminosa, o irmão dele, Alejandro Herbas Camacho Júnior, e Everton de Souza, apontado como operador financeiro do esquema, também passaram a ser réus na ação, de acordo com a decisão judicial da 3ª Vara de Presidente Venceslau.

A denúncia é desdobramento da Operação Vérnix, realizada a partir de suspeitas de que uma transportadora de fachada era usada para lavar dinheiro do PCC. A operação resultou na prisão de Deolane e de Everton de Souza.

Também foram denunciados Leonardo Alexsander Ribeiro e Paloma Sanches, sobrinhos de Marcola, que estão foragidos.

Em nota divulgada na semana passada, quando houve a denúncia, a defesa de Deolane afirmou que ela “não faz parte de nenhuma organização criminosa e tampouco cometeu qualquer crime, o que será provado ao longo do processo”.

O advogado Bruno Ferullo – que defende Marcola, seu irmão e os dois sobrinhos – afirmou por ocasião da denúncia que vai “demonstrar a fragilidade narrativa acusatória e a improcedência das imputações” contra seus clientes. Ele argumentou que tanto Marcola quanto Alejandro Juvenal estão presos e “submetidos a severas restrições de contato e comunicação, o que, por si só, torna inviável qualquer participação nos fatos investigados”.

E afirmou também que Leonardo Alexsander e Paloma “refutam integralmente” as acusações e que “serão apresentados os esclarecimentos e as provas pertinentes acerca da origem e da regularidade das operações apontadas” na investigação.

Deolane e Marcola

Após a prisão de Deolane, o promotor de Justiça Lincoln Gakiya, responsável pela denúncia, disse à Folha de S.Paulo que há uma relação direta e íntima entre Deolane e a família de Marcola.

Segundo ele, Deolane teria fornecido contas para a lavagem de dinheiro do grupo criminoso, o que é negado por sua defesa. Um dos indícios de atividade criminosa, segundo ele, seria um aumento repentino do patrimônio dela, com ganhos superiores a R$ 140 milhões de 2020 a 2022.

“Ela tem relação direta com a família Camacho, além de relação de amizade íntima com integrantes, como Paloma e Alexandro, filhos de Marcolinha [Alejandro Juvenal Herbas Camacho, irmão de Marcola] também indiciados”, diz.

O promotor disse considerar que está praticamente comprovada a incompatibilidade entre as atividades profissionais de Deolane e seus ganhos financeiros.

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