Os criminosos organizavam o ensaque da carga roubada, transporte, armazenamento e, posteriormente, as reinseriam no mercado com aparência de legalidade, aponta a investigação coordenada pela FICCO/RO.

A Força Integrada de Combate ao Crime Organizado em Rondônia (FICCO/RO) realizou nesta sexta-feira (28), a Operação Piratas do Madeira 2. A ação busca desarticular um esquema criminoso especializado no furto, receptação e lavagem de dinheiro decorrentes do saque de cargas de grãos transportadas em balsas pelo Rio Madeira. Ao todo, cumprem-se sete mandados de busca e apreensão domiciliar nas cidades de Porto Velho (RO), Ariquemes (RO) e Umuarama (PR), além do bloqueio judicial de bens e valores de até R$ 1,2 milhão pertencentes a 29 investigados, entre pessoas físicas e empresas.
As investigações revelaram que o grupo operava de forma estruturada em três frentes:
- Executores: Abordavam as balsas em pequenas embarcações para subtrair os grãos.
- Atravessadores: Compravam a mercadoria roubada e organizavam o escoamento.
- Receptadores: Empresas do setor agroindustrial e seus sócios que adquiriam o produto por valores abaixo do mercado.
O material furtado era reensacado, armazenado e reintroduzido no mercado formal com aparência de legalidade, inclusive com a emissão de notas fiscais falsas. Dados das empresas vítimas indicam que 257 ocorrências de furtos em barcaças foram registradas na região entre 2022 e 2025.
Esta segunda fase da operação mira a cadeia de intermediação e os compradores finais da mercadoria, além de apurar a submissão do grupo às diretrizes de uma facção criminosa que atua na região. A primeira etapa, deflagrada em junho de 2025, focou nos executores dos saques.
A ação é coordenada pela FICCO/RO — composta por Polícia Federal, Polícia Civil, Polícia Militar, Polícia Penal Estadual e SENAPPEN — com apoio do GAECO/MPRO, da Polícia Civil de Rondônia e da Superintendência da PF no Paraná. As ordens foram expedidas pela 1ª Vara de Garantias da Comarca de Porto Velho.


