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Economia em Manaus: percepção de renda melhora com queda na busca por renda extrz

Manaus registrou uma guinada nos seus indicadores sociais e econômicos no último ano. A capital amazonense foi a cidade que apresentou a maior mudança positiva na percepção de renda individual entre dez grandes capitais brasileiras, embora a inflação dos alimentos e a visibilidade da pobreza ainda pressionem os orçamentos locais.

Os dados integram a pesquisa “Viver nas Cidades: Desigualdades e Mobilidade Social”, realizada pelo Instituto Cidades Sustentáveis e pela Ipsos-Ipec, com apoio da Fundação Grupo Volkswagen e cofinanciamento da União Europeia e divulgada nesta quinta-feira (17).

Menos ‘bicos’ e avanço na renda pessoal

Nos últimos 12 meses, 62% dos trabalhadores manauaras precisaram recorrer a atividades extras para complementar o orçamento doméstico. Apesar de elevado, o número reflete uma queda de 7 pontos percentuais em relação a 2025, quando o índice atingiu 69%. O recuo nas atividades informais foi o mais expressivo entre todas as capitais pesquisadas.

Entre as principais alternativas encontradas pela população local para engordar a renda estão:

  • Bicos de serviços gerais: 18%
  • Venda de roupas e artigos usados: 18%
  • Trabalhos manuais e artesanato: 10%
  • Revenda de cosméticos e produção caseira de alimentos: 8% cada
  • Motoristas ou entregadores por aplicativo: 7%

A diminuição da dependência por trabalhos informais acompanha a melhora nos ganhos diretos: 18% dos entrevistados afirmaram que a renda pessoal aumentou (contra 12% em 2025), enquanto a fatia que relatou perda de rendimentos caiu de 38% para 30%. A parcela que manteve a renda estável ficou em 47%.

Custo dos alimentos e contradições do consumo

Apesar do avanço financeiro individual, os custos básicos continuam pesando no bolso. Para 86% das famílias de Manaus, a alimentação é o item que mais impacta o orçamento familiar — superior aos 83% registrados no período anterior.

O comportamento de consumo na capital revela um cenário dividido: Manaus liderou o crescimento no consumo de diversos itens alimentícios, mas também manteve altas taxas de redução de itens essenciais.

Categoria de AlimentoAumentaram o ConsumoReduziram o Consumo
Ovos42%18%
Carnes (bovina, suína, frango)33%38%
Frutas, legumes e verduras32%34%
Laticínios28%29%

Contraste social no Amazonas

O cenário econômico de Manaus apresenta um contraste: a melhoria da renda individual não eliminou a percepção de vulnerabilidade nas ruas. Para 63% dos moradores, o número de pessoas em situação de fome e pobreza aumentou na cidade, índice superior à média nacional das capitais (59%). Apenas 8% perceberam redução.

A disparidade reflete que a recuperação de margem financeira pontual nas famílias ainda não se traduziu em superação total da perda do poder de compra ou no alívio das desigualdades visíveis no ecossistema urbano do Amazonas.

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