
Com o avanço do período seco e a consequente disparada nos focos de calor na Amazônia, a chegada de setembro acende o sinal de alerta para a estabilidade da rede elétrica no Amazonas. Historicamente marcado pelo pico das queimadas na Região Norte — que responde por 31,04% de todos os desligamentos do país provocados pelo fogo —, o mês exige atenção redobrada das autoridades, distribuidoras e da população local para evitar o colapso no abastecimento de energia.
A vulnerabilidade da infraestrutura na região amazônica insere o estado em um contexto de alto risco. Embora o vizinho Pará lidere o ranking nacional de interrupções no fornecimento, o corredor crítico de seca que se estende pelo Norte potencializa os danos no Amazonas. O perigo ao sistema elétrico ultrapassa o dano físico direto a postes e cabos: o calor extremo, a fuligem e a densa fumaça gerada pelos incêndios provocam curtos-circuitos no ar e desarmam linhas de transmissão, deixando cidades inteiras no escuro.
A gravidade do cenário é impulsionada por uma tendência de alta no país. Dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) mostram que as interrupções saltaram 242,8% entre 2020 e 2025. O especialista em meteorologia Pedro Regoto aponta que o aumento precoce dos focos de calor na Amazônia já dava sinais do rigor da estiagem deste ano, que se prolonga até meados de outubro.
Para conter os apagões, a atuação preventiva combina tecnologia e conscientização. As concessionárias têm intensificado o monitoramento com drones, sensores térmicos e manutenção das faixas de segurança. No entanto, como destaca Patricia Audi, presidente da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee), a solução exige um esforço coletivo para coibir o fator humano por trás do fogo.
A população do Amazonas desempenha papel fundamental na mitigação desses acidentes ao adotar condutas preventivas de segurança:
- Queimadas proibidas: Não atear fogo para limpeza de terrenos, quintais ou áreas rurais durante a estiagem.
- Descarte correto: Jamais lançar pontas de cigarro acesas às margens de rodovias ou em vegetação seca.
- Distância da rede: Não fazer fogueiras perto de fios e postes, e manter distância da fiação em áreas atingidas pelo fogo.
- Denúncia e socorro: Ao notar focos de incêndio, acione imediatamente o Corpo de Bombeiros (193) e a distribuidora de energia local.


