
O início da vazante do Rio Negro já mobiliza empresários do setor de flutuantes no bairro Tarumã, na zona oeste de Manaus. Diante do recuo gradual das águas, estabelecimentos da região começaram a reestruturar suas rotinas para tentar manter o funcionamento ao longo do período de estiagem.
Para enfrentar os impactos da seca, os gestores vêm adotando medidas preventivas de contenção de custos. As ações incluem a redução do ritmo de novas contratações, ajustes no quadro de pessoal e o planejamento de eventuais férias coletivas caso o cenário hidrográfico se agrave conforme as projeções.
Além do desafio ambiental, o setor vive sob permanente incerteza jurídica. Mapeamentos indicam a existência de cerca de 900 flutuantes na bacia do Tarumã-Açu — entre estruturas comerciais, residenciais e de lazer. Alvo de determinações da Justiça para remoção devido a impactos ambientais, o processo de retirada segue em meio a impasses legais e suspensões temporárias, pressionando ainda mais um segmento vital para a economia e o turismo local. O setor gera centenas de empregos diretos e indiretos, atrai milhares de visitantes nos fins de semana e movimenta a gastronomia e o ecoturismo da capital.
A infraestrutura física dos estabelecimentos também é diretamente afetada. Por operarem em um braço do Rio Negro, os flutuantes enfrentam restrições de navegabilidade e calado. Ao atingir marcas em torno de 16,50 metros, os proprietários precisam se preparar para interromper o formato tradicional de atendimento ou transferir parte do negócio para as praias que se formam na margem.
Nas áreas de areia expostas pela seca, a proposta dos gestores é disponibilizar opções de atividades físicas, esportivas e culturais, acompanhadas por cardápios e estruturas reduzidos. A estratégia busca dar continuidade ao atendimento com foco em segurança e aproveitar o novo relevo criado pelo rio.
A necessidade de planejamento antecipado tem como base as marcas dos últimos anos. Em 2023, o Rio Negro atingiu 12,70 metros em Manaus, enquanto em 2024 o nível baixou para 12,11 metros, estabelecendo o menor índice de toda a série histórica de medições.
Segundo dados do Serviço Geológico do Brasil, as estimativas para o pico da estiagem indicam que o Rio Negro pode oscilar entre 12,31 metros e 16,50 metros. A variação reforça a importância da preparação prévia para os empreendimentos que dependem diretamente das condições hídricas da bacia amazônica.


