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Manaus lidera cobertura de esgoto, mas Amazonas expõe maior desigualdade do Brasil

Estudo do Itaú BBA em parceria com a Inter.B Consultoria mapeia R$ 201,5 bilhões em investimentos previstos até 2030, com avanço para Norte e Nordeste.

Enquanto a capital do Amazonas alcança 81,7% de cobertura de esgoto — marca superior à média nacional de 68,5% —, o interior do estado registra um dos piores índices do país, com apenas 14%. Essa disparidade de 67,7 pontos percentuais faz do Amazonas o estado com a maior discrepância territorial do Brasil em saneamento básico, segundo o estudo “Saneamento Básico: Investimento para Transformar o Brasil”, elaborado pelo Itaú BBA em parceria com a Inter.B Consultoria e divulgado nesta quinta-feira (22).

Nas áreas rurais da Região Norte, 97,6% da população ainda não tem acesso à rede coletora. O cenário amazonense sintetiza o principal desafio do setor: a urgência de combater assimetrias regionais e intrazonais.

“Os números mostram que a agenda do saneamento no Brasil não é mais apenas uma discussão sobre expansão da cobertura nacional, mas sobre como reduzir desigualdades regionais ainda muito relevantes”, ressalta Eduardo Corsetti, Co-Head da Diretoria de Infraestrutura & Energia do Itaú BBA.

O Desafio da Região Norte: Infraestrutura do Zero

O estudo identifica duas realidades distintas no país:

  • Sul e Sudeste: Foco voltado para a modernização de redes e mitigação de perdas.
  • Norte e Nordeste: Desafio centrado na implantação de obras totalmente novas em localidades desprovidas de infraestrutura prévia.

Para mudar este quadro, o pipeline mapeado prevê R$ 201,5 bilhões em investimentos entre 2026 e 2030, com pico de desembolso de R$ 44,2 bilhões em 2027. O retorno social e econômico tende a ser mais expressivo justamente em locais com menor cobertura inicial: no Brasil, cada real investido em esgotamento sanitário gera 8,9 vezes mais benefícios econômicos, contra 2,5 vezes no abastecimento de água.

Qualidade e Ciclo de Vida da Infraestrutura

Além de expandir a rede até as metas do Marco Legal de 2033 (99% de água potável e 90% de coleta de esgoto), especialistas apontam para a importância da qualidade das obras. Em 2024, 39,53% da água tratada no Brasil foi perdida no processo de distribuição, segundo o Instituto Trata Brasil.

Para Francisco Carlos Jorge Colnaghi, vice-presidente do Conselho de Administração da Colpar Brasil, o foco deve ir além de bater metas quantitativas:

“Se o país vai investir centenas de bilhões de reais em saneamento até 2033, precisamos garantir que esses recursos resultem em infraestrutura eficiente, duradoura e capaz de entregar desempenho ao longo de toda a sua vida útil. Não basta construir mais redes; é preciso construir redes que funcionem bem por décadas.”

Com R$ 431 bilhões ainda necessários para universalizar os serviços em todo o país até 2033, a superação do abismo entre Manaus e o interior amazonense dependerá de soluções regionais sob medida e de aportes continuados de longo prazo.

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