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Alta do ‘Prato Feito’ e logística encarecem vida no Amazonas

Levantamento da FAC-SP aponta que o prato feito já custa, em média, R$ 31,90 no país. Mesmo em regiões com menores médias, como o Norte, entraves locais e custos operacionais pesam no bolso do consumidor.

Comer fora de casa continua sendo um dos maiores vilões do orçamento do brasileiro. O tradicional prato feito (PF) — que historicamente sempre representou a opção mais acessível para quem precisa almoçar na rua — alcançou o valor médio nacional de R$ 31,90 em junho. Os dados são do Índice Prato Feito (IPF), elaborado pelo Núcleo de Estudos Econômicos da Faculdade do Comércio (FAC-SP), divulgados nesta terça-feira (28).

O levantamento revela que a refeição acumulou alta de 5,4% em relação a março e expressivos 7,2% no comparativo com janeiro. Na prática, para um trabalhador que almoça fora nos 20 dias úteis do mês, o gasto mensal atinge cerca de R$ 638,00 apenas com essa refeição — sem contabilizar café da manhã, lanches ou jantar.

Disparidade regional e a realidade do Amazonas

No cenário nacional, o Sul lidera o ranking do PF mais caro (R$ 34,90), seguido pelo Centro-Oeste (R$ 34,45) e Sudeste (R$ 31,99). As regiões Norte (R$ 29,99) e Nordeste (R$ 30,00) registraram as menores médias do país. No entanto, o valor do Norte esconde particularidades severas de estados como o Amazonas.

Embora a média regional sugira um valor mais baixo, o mercado amazonense enfrenta pressões estruturais únicas:

  • Dependência logística: A forte necessidade de transporte hidroviário e aéreo para o abastecimento de grãos, carnes e insumos básicos encarece o frete.
  • Sazonalidade dos rios: Períodos de estiagem severa ou cheia extrema afetam diretamente a navegação, encarecendo a distribuição de produtos que chegam à capital, Manaus, e ao interior.
  • Energia e custos operacionais: Em um estado com temperaturas elevadas o ano todo, o consumo de energia elétrica para refrigeração de insumos e climatização de estabelecimentos é substancialmente mais alto.

“O Brasil não almoça pelo mesmo preço. O prato feito evidencia diferenças regionais importantes, mas também mostra um movimento comum: a refeição básica está mais cara em todo o país”, destaca Rodrigo Simões Galvão, economista e coordenador do IPF.

Por que o preço sobe se a inflação dos alimentos caiu?

O aumento do PF ocorre em um momento paradoxal. Dados do IBGE mostram que o grupo Alimentação e Bebidas recuou 0,24% em junho, ajudando a desacelerar a inflação oficial (IPCA) para 0,16%. Alimentos como carne, café e frutas registraram queda. No entanto, a alimentação fora do domicílio subiu 0,15% no mesmo período.

A explicação reside no fato de que o preço do prato feito vai muito além da cesta de alimentos:

Composição do Custo do Prato Feito
Ingredientes: Arroz, feijão, proteína, saladas e hortaliças
Encargos operacionais: Aluguel do ponto comercial e IPTU
Serviços essenciais: Contas de energia elétrica, água e gás
Mão de obra e logística: Salários, transporte de funcionários e frete de insumos
Custos financeiros: Tributos, juros e margem de lucro do empresário

Alerta no horizonte: Clima pode pressionar ainda mais os preços

Se o cenário atual já exige cautela, o futuro próximo inspira atenção. Economistas alertam que a potencial intensificação de fenômenos climáticos, como o El Niño, pode voltar a castigar a produção agrícola no país.

Culturas sensíveis como batata, tomate, cebola e cenoura costumam ser as primeiras afetadas. Além disso, o impacto do clima na safra de milho tende a encarecer a ração animal, pressionando posteriormente os preços de carnes e derivados.

No Amazonas, onde o impacto climático reflete diretamente no nível dos rios e na logística de abastecimento, qualquer oscilação na safra nacional ganha camadas extras de complexidade e custo até chegar ao prato do consumidor final.

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