Governo do Amazonas divulga boletim sobre a estiagem no estado, nesta quarta-feira (21) com atualizações dos sistemas de monitoramento e ações para atender a população afetada. Entre 1º e 15 de outubro, o satélite de referência do Inpe registrou 1.639 focos no estado. Desses, 79,1% ficaram em propriedades privadas cadastradas.

O estado do Amazonas atravessa um dos momentos mais críticos de sua história recente, acuado pela combinação devastadora da seca extrema e do avanço das queimadas ilegais. De acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), consolidados pelo hub de análises NEX, 63% dos focos de calor registrados no estado entre 20 de setembro e 19 de outubro (2.043 dos 3.263 focos totais) ocorreram dentro de áreas cadastradas no Cadastro Ambiental Rural (CAR). O cenário afeta diretamente a saúde pública, a educação e a subsistência de centenas de milhares de amazonenses.
Mapeamento do Fogo e Responsabilização
Embora o CAR seja um registro declaratório que não comprova a posse da terra, sua base de dados constitui um instrumento estratégico para que os órgãos de fiscalização identifiquem os proprietários ou detentores das áreas e apliquem sanções administrativas e penais aos responsáveis pelos incêndios.
| Categoria da Área (Inpe/NEX) | Quantidade de Focos | Porcentagem |
| Imóveis Cadastrados no CAR | 2.043 | 63% |
| Áreas Sem Cadastro | 932 | 29% |
| Terras Indígenas | 161 | 5% |
| Unidades de Conservação | 127 | 4% |
Entre os municípios com maior incidência de queimadas em propriedades rurais registradas no CAR sobressaem-se Boca do Acre (82 focos), Apuí (49), Manacapuru (47), Nova Olinda do Norte (44) e Novo Aripuanã (35). Considerando a totalidade de focos, a região Sul do estado lidera as ocorrências, tendo como epicentros as cidades de Lábrea, Boca do Acre e Novo Aripuanã.
Qualidade do Ar Crítica e Impactos na População
O acúmulo de fumaça oriundo dos incêndios florestais degradou a qualidade do ar em pelo menos 15 municípios amazonenses. Alertas emitidos pelo Centro de Monitoramento e Alertas da Defesa Civil do Amazonas (CEMOA) apontam quadros epidemiológicos de alto risco respiratório e cardiovascular:
- Nível Severo (Péssimo): Registrado na área urbana de Autazes, além dos municípios de Careiro e Manaquiri, com concentrações de material particulado ($MP_{2,5}$) superiores a $125\,\mu g/m^3$.
- Nível Alto (Ruim a Muito Ruim): Atinge 17 municípios, incluindo Manaus, Iranduba, Parintins, Maués, Itacoatiara e Boca do Acre.
- Nível Moderado: Válido para outros 18 municípios, a exemplo de Tefé, Tabatinga, Coari e Presidente Figueiredo.
A poluição do ar motivou a interrupção de atividades escolares e o aumento substancial da busca por atendimento médico especializado nas redes pública e privada de saúde.
Panorama da Estiagem e Decretos de Emergência
Paralelamente ao fogo, a estiagem severa isola comunidades e compromete o abastecimento em calhas de rios por todo o território estadual. Boletim divulgado pelo Comitê Permanente de Enfrentamento a Eventos Climáticos indica que 104.690 famílias já foram diretamente afetadas pelo desastre ambiental.
Do total de 62 municípios amazonenses, a situação geográfica divide-se em:
- 42 municípios em situação de Emergência (incluindo Coari, Tefé, Parintins, Lábrea, Manacapuru e Tabatinga);
- 15 municípios em estado de Alerta (incluindo Manaus, São Gabriel da Cachoeira e Barcelos);
- 5 municípios em situação de Atenção (Anamã, Codajás, Iranduba, Itacoatiara e Itapiranga).
Força-Tarefa e Operações de Combate
Para conter o avanço das chamas e minorar os efeitos da seca, os governos estadual e federal mobilizam uma estrutura de grande porte. A operação conta com cerca de 1.500 servidores, entre bombeiros militares e brigadistas — reforçados pela contratação de mais 153 profissionais pelo programa Floresta em Pé.
A frota de combate inclui 18 aeronaves (sendo oito aviões Air Tractor, dois KC-390 e oito helicópteros), além de picapes equipadas com suporte Starlink para identificação de ilícitos em tempo real via satélite.
Balanço Operacional: Entre 1º de junho e 20 de outubro de 2026, o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) contabilizou 3.789 ocorrências de incêndio e atuou no combate direto a 23.527 focos de calor (4.708 na capital e 18.819 no interior).
Medidas regulatórias rígidas seguem vigentes, incluindo decretos estaduais que proíbem o uso do fogo por 120 dias e declaram emergência ambiental e de estiagem por 180 dias. As ações de fiscalização em campo são coordenadas por meio das operações Tamoiotatá (em 13 municípios), Amazonas+Verde (em 33 municípios) e Alerta Fogo, apoiadas por campanhas educativas que alcançaram mais de 43 mil pessoas no estado.


