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Queda de 15%: fumaça e retração econômica abalam turismo amazonense

O setor de turismo no Amazonas enfrenta uma dupla retração provocada por gargalos econômicos e pela severa crise ambiental decorrente do avanço das queimadas. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que o fluxo turístico no estado registrou uma queda de 15% em agosto de 2026 comparado ao mesmo período do ano anterior. O declínio, contabilizado antes do ápice da poluição atmosférica, ganhou contornos mais severos nas semanas seguintes com o acúmulo de fumaça na região.

Alterações nos Roteiros e Preocupação com a Saúde

Com a piora da qualidade do ar na capital e no interior, guias e agências de viagem relatam que visitantes têm modificado agendas de passeios ecológicos. O impacto é percebido de forma mais acentuada entre grupos de maior vulnerabilidade respiratória.

  • Adiamento de Atividades: Passageiros idosos e pessoas com maior sensibilidade à poluição optam por postergar itinerários ou cancelar passeios de campo até que ocorra dispersão da fumaça.
  • Flexibilização de Guiatagem: Profissionais analisam a viabilidade das rotas diariamente, indicando opções alternativas de menor exposição em tempo real.
  • Adaptação em Destinos Tradicionais: Municípios com forte vocação para o ecoturismo e turismo cultural, a exemplo de Novo Airão, registram desaceleração na procura por praias e igapós.

“A gente continua. A única coisa que acontece é a diminuição do fluxo de turista por conta do número das pessoas chegarem até aqui e se deparar com o Amazonas tendo um dos piores índices de qualidade do ar”, pontua o empresário e guia de turismo Mario Sergio de Jesus.

Estratégias do Setor e Sazonalidade

Segundo a Cooperativa de Guias e Agentes de Turismo do Estado do Amazonas (Coopguiaturam), as operações turísticas permanecem ativas em destinos onde as condições de segurança são mantidas. Para mitigar o desinteresse, profissionais têm intensificado a divulgação em redes sociais, sinalizando regiões com ar limpo e atrações viáveis, como a temporada de pesca esportiva e passeios em rios e cachoeiras de Presidente Figueiredo e Iranduba.

A expectativa da cadeia produtiva volta-se para a alta temporada, compreendida entre os meses de dezembro e fevereiro, período histórico de maior movimentação de passageiros no estado.

Agravamento Ambiental e Mudanças na Rotina

A densa camada de fumaça oriunda dos incêndios florestais intensificou-se em Manaus no início de outubro, afetando serviços básicos e a rotina da população local.

Indicador AmbientalRegistro / PeríodoComparativo / Impacto
Focos de Incêndio (INPE)5.365 focos (1º/Set a 14/Out de 2026)Alta de 195% em relação ao mesmo período de 2025.
Decreto de Emergência36 municípios afetadosMedida homologada pelo Governo Estadual e reconhecida pela União.
Impacto na CapitalSuspensão de aulas e atividades externasAumento substancial na busca por atendimento médico respiratório.

O cenário de estiagem severa, altas temperaturas e baixa umidade relativa do ar segue favorecendo a propagação do fogo e dificultando a recuperação do fluxo de visitantes na região amazônica.

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