Em menos de quatro anos, três professores de jiu-jítsu foram presos suspeitos de cometer crimes sexuais contra alunos no Amazonas.

A Polícia Civil do Amazonas (PC-AM), por meio da Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca), prendeu mais um professor de jiu-jitsu, de 59 anos, pelos crimes de produção, armazenamento e compartilhamento de material pornográfico envolvendo adolescente de 14 anos. Este é o quarto caso de prisão por pedofilia envolvendo esses profissionais no Amazonas.
As investigações tiveram início a partir de informações obtidas por meio de cooperação internacional, em parceria com a Polícia Federal, que identificaram a existência de material pornográfico infantil vinculado a um usuário de aplicativo de relacionamentos com localização no Brasil. A prisão ocorreu nesta segunda-feira (1º), e mais detalhes serão repassados ainda hoje.
O primeiro caso ocorreu em novembro de 2024, quando o professor Alcenor Alves Soeiro, de 56 anos, foi preso em Balneário Camboriú (SC). Ele é investigado por estuprar e explorar sexualmente seus alunos entre 2011 e 2018.

Em junho de 2025, outro professor de jiu-jítsu, que não teve o nome revelado, foi preso em Humaitá, interior do Amazonas. Ele é suspeito de estuprar ao menos cinco alunos, todos meninos entre 7 e 11 anos.
O caso mais recente aconteceu em abril de 2026, quando o treinador Melqui Galvão, também policial civil, foi preso em São Paulo após denúncias de abusos contra alunas em Manaus. A investigação começou após uma adolescente de 17 anos relatar ter sido vítima durante uma competição fora do país.
Todavia em razão das prisões envolvendo esses profissionais nos últimos anos no estado, a PC-AM fortalece conscientização sobre proteção de alunos em academias de Jiu-Jítsu. A iniciativa está alinhada ao Código de Conduta da PC-AM, documento que estabelece padrões éticos e comportamentais para instrutores da modalidade.
O manual reúne regras gerais e específicas para aulas infantis, define comportamentos proibidos, orienta procedimentos diante de suspeitas ou denúncias e prevê ações permanentes de treinamento e conscientização dos profissionais.
O código está fundamentado em três princípios essenciais: respeito e dignidade, garantindo tratamento igualitário a todos os alunos; proteção prioritária, colocando a segurança física, emocional e psicológica dos praticantes como valor máximo; e transparência e ética, assegurando que todas as interações ocorram de forma clara, responsável e compatível com os valores das artes marciais.
A atuação da Polícia Civil, segundo o delegado-geral, busca garantir investigações qualificadas e a responsabilização dos autores desses crimes.
“Não podemos nos calar diante de qualquer suspeita. Utilizem o disque-denúncia 197. A Polícia Civil fará os levantamentos, realizará as diligências necessárias e trabalhará para responsabilizar os autores e proteger as vítimas”, ressalta.
O delegado-geral adjunto da PC-AM, Guilherme Torres, destaca que a prevenção é uma das principais ferramentas para garantir a segurança de crianças e adolescentes nos ambientes esportivos e fortalecer a confiança entre academias, atletas e familiares.
A Polícia Civil destaca que a prevenção é uma responsabilidade compartilhada entre academias, professores, responsáveis e alunos. Casos de assédio, importunação sexual, estupro ou qualquer forma de violência devem ser comunicados imediatamente às autoridades competentes para que sejam devidamente investigados.
A denúncia é uma ferramenta fundamental para interromper ciclos de violência e garantir que o tatame permaneça um espaço de aprendizado, respeito e proteção para todos.
Colaboração
A PC-AM reforça o compromisso no combate aos crimes contra crianças e adolescentes e destaca a importância da colaboração da população por meio de denúncias anônimas, que podem ser realizadas pelos canais oficiais: 197 ou (92) 3667-7575, da Polícia Civil, ou 181, da Secretaria de Estado de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM).


