Suspeito esteve detido em uma cela especial na Delegacia Geral (DG) da Polícia Civil do Amazonas. Transferência foi autorizada pela Justiça e cumprida nesta quinta-feira (7).

O lutador e professor de jiu-jítsu Melqui Galvão foi transferido do Amazonas para São Paulo na noite de quinta-feira (7), após autorização da Justiça. Investigado por suspeita de abuso sexual contra alunas adolescentes, ele ficará custodiado em uma unidade prisional da Polícia Civil paulista enquanto o inquérito segue em andamento.
A transferência ocorre em meio ao avanço das investigações conduzidas pela Polícia Civil de São Paulo, que apontam novas denúncias contra o treinador, conhecido nacionalmente no cenário do jiu-jítsu.
Melqui Galvão foi preso temporariamente no dia 28 de abril, durante uma operação realizada após uma atleta de 17 anos denunciar atos libidinosos sem consentimento durante uma competição esportiva na Itália. Atualmente morando nos Estados Unidos, a jovem prestou depoimento às autoridades acompanhada dos familiares.
Segundo a investigação, a adolescente relatou que o treinador teria tentado apagar provas acessando o celular dela após os fatos. A polícia também apura suspeitas de que Melqui buscou impedir a formalização da denúncia oferecendo vantagens financeiras e profissionais à família da atleta, incluindo a promessa de abrir uma academia no exterior.
Novas denúncias
Com o avanço da investigação, a 8ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) identificou outras possíveis vítimas em diferentes estados do país. Em um dos relatos, uma das denunciantes afirmou ter apenas 12 anos na época dos supostos abusos.
De acordo com a Polícia Civil, familiares das vítimas entregaram uma gravação em que Melqui faria declarações interpretadas pelos investigadores como uma admissão indireta das condutas investigadas. Conversas por mensagens e outras interações também passaram a integrar o inquérito como possíveis provas.
A prisão temporária foi decretada para evitar interferências na investigação. Segundo os investigadores, há indícios de tentativa de ocultação de provas e de intimidação de vítimas e testemunhas.
Prisão e buscas
Antes da transferência para São Paulo, Melqui estava detido em uma cela especial na Delegacia-Geral da Polícia Civil do Amazonas (PC-AM), por também ser policial civil concursado da instituição.
As investigações apontam que o treinador havia desembarcado no Amazonas menos de 24 horas antes da prisão. Após troca de informações entre policiais dos dois estados, ele se apresentou às autoridades, momento em que o mandado foi cumprido.
Além da prisão temporária, a Polícia Civil realizou três mandados de busca e apreensão em imóveis ligados ao investigado em Jundiaí, no interior paulista. Celulares, computadores e outros equipamentos eletrônicos apreendidos seguem sob análise pericial. O processo tramita em segredo de Justiça.
Quem é Melqui Galvão
Reconhecido no cenário do jiu-jítsu brasileiro, Melqui Galvão é faixa-preta, pai do multicampeão Mica Galvão e fundador de uma academia na zona Norte de Manaus. O treinador ganhou projeção nacional e internacional por formar atletas campeões em competições importantes da modalidade, tornando-se um dos nomes mais conhecidos do esporte no Amazonas.


