
O estado do Amazonas consolidou-se como um dos territórios mais críticos para a sobrevivência dos povos originários no Brasil. Dados divulgados pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi), nesta sexta-feira (14), apontam que o estado registrou 47 assassinatos de indígenas, figurando como o segundo com maior número de mortes no país — atrás apenas de Roraima (82) e à frente do Mato Grosso do Sul (37). Em todo o território nacional, as vítimas de homicídio subiram para 258.
A crise humanitária no Amazonas revela-se ainda mais severa nos indicadores de omissão do Poder Público. O estado liderou isoladamente o número de suicídios indígenas no país, contabilizando 77 casos, a maior parte concentrada entre jovens de até 29 anos.
No que tange à infância, o cenário do Amazonas é alarmante. O estado registrou 306 mortes de bebês e crianças de até 4 anos, liderando o ranking nacional com quase um terço do total de 1.024 óbitos no Brasil. A maioria dessas fatalidades decorreu de causas evitáveis, como pneumonia, desnutrição e infecções intestinais.
O relatório do Cimi destaca que a falta de infraestrutura, de profissionais de saúde e de medicamentos se soma ao acesso precário à água potável no estado. O quadro é agravado pelo contaminação dos rios por agrotóxicos e mercúrio do garimpo ilegal, afetando diretamente a sobrevivência física e cultural das comunidades, inclusive de povos em isolamento voluntário que habitam a região.


