Contas de energia no Amazonas podem ficar mais caras com privatização

A tarifa de energia no Amazonas pode ficar mais cara com a privatização em definitivo da Amazonas Energia, que foi adquirida pelo Consórcio Oliveira Energia Atem no dia 10 de dezembro.

O alerta é da empresa de geradores Gopower & Air Locação de Equipamentos Industriais, que foi aceita como terceira interessada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) no processo que analisa a aquisição do controle acionário da concessionária pelo consórcio. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União da última quarta-feira (30). 

A Gopower argumentou ao Cade que a operação “tem o potencial de afetar seus interesses diretos, bem como ter implicações concorrenciais relacionadas à possibilidade de fechamento de mercado de locação de geradores de energia elétrica, o que poderia, em sua visão, levar a aumentos de tarifas aos consumidores de energia elétrica atendidos pela Amazonas Energia”.

A possibilidade de intervenção de terceiros em processos administrativos no Cade é prevista em lei e aberta àquelas empresas que possam ser atingidas pelo ato de concentração econômica. No despacho, o Cade dá um prazo adicional, até 12 de fevereiro, à Gopower para apresentação de eventuais novos elementos sobre o caso.

Divergentes

Apesar do risco apresentado pela Gopower & Air, alguns amazonenses se mostram favoráveis à privatização da concessionária. É o caso, por exemplo, do farmacêutico João Kinsey Barros, de 34 anos, que afirma estar indignado com o péssimo atendimento ofertado pela Amazonas Energia. Ele reside no bairro da Raiz, na Zona Sul de Manaus, e mora com a esposa, o filho, a mãe e o padrasto. 

“Tem muitos funcionários da Amazonas Energia se escondendo atrás do fato de serem concursados e prestarem um atendimento péssimo ao consumidor. Eu penso que a privatização moralizaria o serviço e atenderia melhor o cidadão, que já sofre com tantos impostos”, afirma. 

Barros conta que a sua fatura de energia, que no início de 2018 chegava a R$ 350, chegará a R$ 1.000 em janeiro de 2019. Mesmo na contramão das previsões de aumento, ele crê que a privatização da Amazonas Energia trará a oferta de um serviço melhor para a população. 

“Em média, nós pagamos R$ 750. É um valor absurdo, e com a privatização, creio que minha conta diminuiria e eu pagaria o preço justo, uma vez que já avaliaram o terminal da minha casa e viram que está gerando uma contagem errada. A conta aumentou em 200% em um ano”, salienta.


Leilão

O leilão de venda da distribuidora da Eletrobras foi realizado no dia 10 de dezembro e depois a operação foi notificada ao Cade que precisa analisar e decidir pela aprovação ou não do ato de concentração.

O Consórcio Oliveira Energia Atem foi o único proponente do leilão. Ao arrematar a Amazonas Energia, o grupo assumiu o compromisso de fazer um aporte de capital de R$ 491 milhões na companhia e realizar investimentos que somam R$ 2,7 bilhões em cinco anos.

Os novos controladores também deverão buscar a melhoria financeira da distribuidora, que mudará de donos com uma dívida de R$ 2,2 bilhões.

*Com informações da Agência Estado.

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