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Corrida pelos minerais pode injetar R$192 bilhões no PIB; Amazonas busca conciliar potencial e preservação

Estudo da Amcham Brasil aponta impacto bilionário e geração de 750 mil empregos com atração de capital externo. No cenário amazônico, o estado do Amazonas divide atenção entre imensas reservas estratégicas e os desafios socioambientais da exploração.

A expansão dos investimentos na cadeia de minerais críticos e terras-raras pode adicionar R$ 192,1 bilhões ao Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro e criar cerca de 750 mil novos postos de trabalho até 2050. É o que revela um estudo recente da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil), que mapeou o impacto do setor na transição energética global.

A pesquisa compara dois cenários econômicos:

VariávelCenário 1 (Capital Doméstico / Exportação Primária)Cenário 2 (Capital Estrangeiro / Processamento Nacional)
Impacto no PIBR$ 128,7 bilhõesR$ 192,1 bilhões (+R$ 63,4 mi)
Geração de Empregos304 mil vagas750 mil vagas (+446 mil)
Investimentos NovosBase de projetos+R$ 120,9 bilhões
Setores BeneficiadosExtrativismo puroIndústria, Automóveis e Equipamentos

“Quanto maior a capacidade de atrair investimentos, maior será a transformação dessa riqueza mineral em valor, tecnologia, empregos e desenvolvimento industrial”, destaca Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil.

O Panorama no Amazonas: Riqueza Subterrânea e o Desafio Ambiental

Embora os maiores impactos percentuais imediatos no PIB estadual estejam projetados para vizinhos como o Pará (16%), a discussão atinge em cheio o estado do Amazonas, dono de jazidas estratégicas de relevância mundial.

O território amazonense abriga reservas de classe mundial de minerais cruciais para a transição tecnológica:

  • Mina de Pitinga (Presidente Figueiredo): Uma das maiores reservas do mundo de estanho, tântalo e nióbio, além de ocorrências de elementos de terras-raras.
  • Complexo Carbonatítico de Seis Lagos (São Gabriel da Cachoeira): Reconhecido como um dos maiores depósitos potenciais de nióbio e terras-raras do planeta, localizado em área de sensibilidade ambiental e indígena.

O Dilema Amazonense:

  1. Oportunidade Industrial: O Polo Industrial de Manaus (PIM), referência no segmento eletroeletrônico e de motocicletas, poderia se beneficiar diretamente do processamento interno de terras-raras, reduzindo a dependência de insumos importados da China.
  2. Sustentabilidade e Governança: Diferente de províncias minerais consolidadas no Centro-Sul, qualquer projeto no Amazonas exige rigor socioambiental elevado, licenciamento rigoroso e diálogo com populações tradicionais para evitar o desmatamento e a contaminação dos recursos hídricos.

Redução da Hegemonia Chinesa e Interesses Internacionais

A corrida por lítio, cobalto, grafita, níquel, cobre e terras-raras atrai os olhos dos Estados Unidos e da União Europeia. Atualmente, a China controla mais de 70% do refinamento global de terras-raras.

Ao processar esses minerais em solo nacional, o Brasil se consolida como parceiro estratégico para o Ocidente na descentralização das cadeias globais de suprimentos tecnológicos e de defesa. No Amazonas, a chave para integrar essa cadeia estará na capacidade de alinhar a agregação de valor industrial ao compromisso irrestrito de manter a floresta em pé.

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