
Uma grande preocupação de pais, principalmente aqueles de primeira viagem, é com o desenvolvimento natural dos filhos. Quando começam a movimentar o corpo, a sorrir, a engatinhar, a dar os primeiros passos e a falar. A atenção costuma ser redobrada e, em algumas situações, até com apreensão. Afinal de contas, quando o tempo de cada criança pode ser levado em consideração ou a partir de qual momento a demora pode ser um sinal de alerta?
O médico André Felício, coordenador nacional do curso de neuropediatria da Afya Educação Médica, ressalta que, quando um marco importante do desenvolvimento não é atingido dentro da faixa etária esperada, é fundamental investigar.
Ele afirma que esperar que “uma hora aconteça” pode atrasar o diagnóstico de condições como transtorno do espectro autista (TEA), deficiência intelectual, alterações da audição, distúrbios de linguagem, doenças neurológicas e até algumas doenças genéticas. “Quanto mais cedo identificamos o problema, maiores são as chances de uma intervenção eficaz”, pontua.
Entre o nascimento até os 3 anos de idade, a criança tem marcos de desenvolvimento que, naturalmente, seguem seu curso. No entanto, frisa Felício, mais importante do que decorar datas é observar se a criança continua adquirindo novas habilidades de forma progressiva.
Quando esse curso natural apresenta alterações, como atrasos mais espaçados, é importante que os pais investiguem. “Sempre que um marco importante não for alcançado dentro da idade esperada ou quando houver perda de habilidades que a criança já havia adquirido é importante averiguar. Além disso, atrasos em diferentes áreas ao mesmo tempo, como linguagem, motricidade e interação social, merecem avaliação especializada. O pediatra costuma ser a porta de entrada e, quando necessário, encaminha para um neuropediatra ou outros especialistas”, diz o médico.
André Felício enumera os principais sinais de atrasos no desenvolvimento infantil que podem passar batidos ou subestimados pelos pais: pouco contato visual, não responder ao próprio nome; não apontar para mostrar interesse; pouca interação com outras pessoas; falta de brincadeiras de faz de conta; atraso na fala; preferência por brincar sempre da mesma maneira; movimentos repetitivos ou interesses muito restritos; perda de habilidades já adquiridas.
Nessas situações, esperar mais um pouco pode trazer consequências para o desenvolvimento da criança. De acordo com Felício, os primeiros anos de vida representam um período de intensa plasticidade cerebral, no aprendizado e desenvolvimento de novas conexões por parte das crianças. “Quando uma intervenção é iniciada precocemente, as chances de melhorar linguagem, cognição, habilidades sociais e autonomia aumentam significativamente. Esperar meses ou anos pode significar perder uma oportunidade importante de tratamento”, alerta.
Desenvolvimento da fala – O médico chama a atenção que, nem toda criança que fala mais tarde terá um transtorno, mas pontua sinais que merecem atenção, como não balbuciar por volta dos 9 meses; não dizer nenhuma palavra por volta dos 16 meses; não formar frases de duas palavras até cerca de 24 meses, perder palavras que já utilizava.
Nesses casos, o diagnóstico médico inicia com uma conversa detalhada com os pais, sobre a gestação, parto, desenvolvimento e comportamento da criança. Um exame neurológico e uma observação cuidadosa da interação, da linguagem e das habilidades motoras também são realizados para um diagnóstico preciso, afirma o especialista.
Na maioria dos casos, o neuropediatra é o profissional mais indicado para o tratamento, que também pode ser feito por uma equipe multidisciplinar, a depender das necessidades da criança, como pediatra, fonoaudiólogo, fisioterapeuta, terapeuta ocupacional, psicólogo, psicopedagogo e, psiquiatra infantil, quando indicado, além da equipe escolar.
André Felício afirma que hábitos simples da rotina familiar ajudam no desenvolvimento infantil, como conversar bastante com a criança desde os primeiros meses, ler histórias diariamente, brincar olhando nos olhos e incentivando a interação, evitar o excesso de telas e estimular atividades ao ar livre e contato com outras crianças são fundamentais.
“Os pais conhecem seus filhos melhor do que ninguém. Se existe a sensação de que algo não está evoluindo como deveria, vale a pena procurar orientação. Na maioria das vezes, a avaliação traz tranquilidade. E, quando realmente existe algum atraso, o diagnóstico precoce permite iniciar intervenções que podem fazer uma enorme diferença no futuro da criança”, afirma.
Formação – Atenta a demanda por profissionais na área, a Afya Educação Médica está oferecendo em Manaus uma nova especialização em Neuropediatria, segmento médico voltada ao diagnóstico e tratamento de doenças neurológicas na infância. A iniciativa busca ampliar a formação de especialistas no Amazonas e fortalecer o atendimento infantil especializado na Região Norte.
Em Manaus, a Afya Educação Médica está localizada na avenida André Araújo, 2767, bairro Aleixo. A instituição conta com uma estrutura premium voltada para a formação de médicos especialistas, incluindo sete salas de aula, 18 ambulatórios e duas salas destinadas a pequenos procedimentos. Os médicos interessados em obter mais informações sobre o curso de pós-graduação podem entrar em contato pelo telefone (92) 99222-1977.


