
Uma análise abrangente conduzida por pesquisadores do Einstein Hospital Israelita, com base em 200 trabalhos científicos publicados entre 2013 e 2024 e dados de mais de 14,5 milhões de pessoas, traçou um panorama detalhado sobre a circulação das hepatites virais no Brasil. O levantamento, parte do projeto Caracterização de Hepatites Virais em Populações Vulnerabilizadas via Proadi-SUS e publicado na revista científica PLOS ONE, busca subsidiar políticas públicas para que o país atinja a meta de eliminar essas enfermidades até 2030 e foi divulgado nesta segunda-feira (3).
O estudo traz luz a realidades distintas entre as regiões brasileiras, destacando a complexidade do enfrentamento às hepatites A, B, C, D e E. Em metrópoles do Sul e Sudeste, a reemergência da hepatite A tem sido associada a novas práticas sexuais (oral/anal) e à baixa cobertura vacinal em adultos. Já em relação às hepatites B e C — principais causas de cirrose e câncer de fígado —, o contágio por via sexual e pelo contato com sangue segue como desafio central em todo o território nacional, embora a transmissão vertical (de mãe para filho) já esteja sob forte controle no Sistema Único de Saúde.
O cenário em Manaus e o desafio do tipo Delta
Na Região Norte, e de forma acentuada em Manaus e áreas do seu entorno, os dados revelam uma pressão sanitária singular. A capital amazonense, por ser o principal centro médico-hospitalar e de triagem da Amazônia Ocidental, centraliza o atendimento de casos complexos que chegam dos municípios do interior e das populações ribeirinhas e indígenas.
A maior preocupação recai sobre a hepatite D (Delta), uma condição negligenciada que atinge exclusivamente indivíduos já infectados pela hepatite B. Enquanto a prevalência do tipo Delta é quase nula em outras partes do país, na região amazônica ela atinge taxas de até 23,9%. O diagnóstico em Manaus é crucial, pois a coinfecção pelos vírus B e D costuma evoluir para formas fulminantes e graves da doença.
Além da hepatite Delta, Manaus convive com a prevalência elevada da hepatite A, transmitida tradicionalmente pela via fecal-oral devido aos déficits históricos em saneamento básico na região.
| Tipo de Hepatite | Principal Forma de Transmissão | Cenário no Brasil e na Amazônia / Manaus |
| Hepatite A | Água/alimentos contaminados e contato sexual oral/anal | Frequente no Norte/NE por saneamento; cresce no S/SE por transmissão sexual. |
| Hepatite B | Sexual, sangue e vertical (mãe-filho) | Presente no país todo; altas taxas na Amazônia. Prevencível por vacina. |
| Hepatite C | Contato com sangue (drogas, seringas) e sexual | Taxas altas entre usuários de drogas (36,9%). Sem vacina, mas com cura >95%. |
| Hepatite D | Acompanha o vírus B (sangue/sexual) | Endêmica na região amazônica. Causa formas graves e necessita de diagnóstico em centros como Manaus. |
| Hepatite E | Zoonose (contato/consumo de suínos) | Maior prevalência na Região Sul (até 59,4%); necessita de mais estudos. |
O mapeamento reforça a necessidade de descentralizar o diagnóstico e fortalecer a rede de assistência pública na capital amazonense. A ampliação da vacinação contra a hepatite B em áreas de difícil acesso e o aperfeiçoamento da testagem precoce nas unidades básicas de saúde são apontados como passos fundamentais para conter a mortalidade e proteger as populações mais vulneráveis do estado.
Onde Buscar Atendimento em Manaus
1. Diagnóstico Inicial, Vacinação e Testagem Rápida
- Unidades Básicas de Saúde (UBSs / USFs): Oferecem gratuitamente testes rápidos para Hepatites B e C (com resultado em cerca de 30 minutos), vacinação contra Hepatite B e orientações de prevenção. Estão distribuídas em todas as zonas da cidade (Norte, Sul, Leste, Oeste e Rural).
2. Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA)
Locais voltados para testagem confidencial, aconselhamento e entrega de insumos de prevenção:
- CTA Fundação Alfredo da Mata (FUAM): Rua Codajás, 24 – Cachoeirinha.
- CTA Policlínica Dr. Djalma Batista: Rua 23 de Dezembro, s/n – Compensa II.
- CTA Policlínica Dr. Comte Telles: Rua J, Etapa B, s/n – São José II.
- CTA US Frank Calderon: Rua Boa Esperança, s/n – Crespo/Aterro do 40.
3. Tratamento Especializado e Acompanhamento de Casos Graves
Para casos confirmados que exigem medicação contínua, acompanhamento com hepatologistas/infectologistas ou tratamento para hepatite crônica/Delta:
- Fundação de Medicina Tropical Doutor Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD): Referência em infectologia e hepatites virais no estado.
- Endereço: Av. Pedro Teixeira, 25 – Dom Pedro.
- Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV / UFAM): Serviço de Hepatologia e laboratório de análises.
- Endereço: Av. Apurinã, 04 – Praça 14 de Janeiro.
- Hospital Universitário Francisca Mendes / Hospital Adriano Jorge: Atendimento especializado em hepatologia.
- Endereço (Adriano Jorge): Av. Carvalho Leal, 1778 – Cachoeirinha.
Recomendação: A primeira porta de entrada deve ser a UBS mais próxima da sua residência. Caso o teste rápido dê positivo, a equipe realiza o encaminhamento direto para a rede especializada da capital.


