
Celebrado nesta terça-feira (14 de abril), o Dia Mundial do Café reforça a importância de uma das bebidas mais consumidas no Brasil e no mundo, não apenas no cotidiano das pessoas, mas também como motor de geração de renda e fortalecimento de pequenos negócios. Em Manaus, essa relação vai além da xícara: o café, aliado às iguarias regionais, se consolida como símbolo cultural e oportunidade de empreendedorismo.
Presente em diferentes momentos do dia, o café é um hábito consolidado entre os brasileiros. Dados da Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC) indicam que, entre novembro de 2024 e outubro de 2025, cada brasileiro consumiu, em média, cerca de 1.400 xícaras da bebida no período. Os números mostram o potencial do setor, que segue em expansão em todo o país.
No Amazonas, o consumo ganha características próprias. O café é tradicionalmente acompanhado de itens típicos como o x-caboquinho (pão francês com queijo, banana pacovã e tucumã), a tapioca e a pupunha, combinação que fortalece a identidade regional e impulsiona negócios locais, especialmente em cafeterias, deliverys, feiras e bancas de café da manhã espalhadas pela cidade.
De acordo com o diretor do Grupo Queiroz, empresa que atua com soluções para o foodservice, Anderson Queiroz, o café regional se consolidou como um segmento forte entre os consumidores amazonenses por ser um hábito cultural muito presente na rotina da população. Além disso, o crescimento de pequenos empreendedores tem impulsionado ainda mais esse segmento, tornando-o cada vez mais relevante.
Esse cenário também reflete o perfil de quem busca empreender no segmento. Segundo Anderson Queiroz, a maioria dos clientes atendidos nas lojas ainda está dando os primeiros passos. “Atendemos tanto iniciantes quanto negócios já estruturados, mas predominam os empreendedores novos. Muitas pessoas enxergam no café regional uma oportunidade de renda extra. Já os negócios mais consolidados nos procuram para reposição de insumos e ampliação do portfólio”, explica.
Entre os produtos mais procurados estão itens básicos e essenciais para a operação. “Os descartáveis como copos, pratos, talheres, guardanapos e potes com tampas têm grande saída, além de insumos como café, leite, açúcar, frios e acompanhamentos típicos. Produtos para embalagem e conservação também são muito demandados, pois garantem praticidade e melhor apresentação”, destaca.
A facilidade para começar é outro fator que impulsiona o setor. “É totalmente possível iniciar com baixo investimento. O essencial é ter insumos básicos, equipamentos simples, como chapa e garrafa térmica, e boas embalagens. Além disso, um bom atendimento faz toda a diferença para atrair e fidelizar clientes”, reforça Anderson.
Foi essa oportunidade que motivou o empresário Karion Hisashi a abrir, em 2023, a cafeteria temática O Maquinista, inspirada em trens. “Encontramos uma forma de trazer algo diferente para a cidade e tivemos uma boa aceitação do público”, afirma. Hoje, o empreendimento se tornou sua principal fonte de renda.
Ele destaca que embora o café seja o principal atrativo, são os acompanhamentos que garantem o faturamento. “O café funciona como porta de entrada, mas o que realmente vende são os salgados, doces, bolos e sanduíches. É essa combinação que sustenta o negócio”, acrescenta o empresário que mantém o faturamento diário variando entre R$ 2 mil e R$ 7 mil, dependendo do movimento.
Além do retorno financeiro, o café regional carrega forte valor cultural. “O povo manauense é muito apegado às suas raízes. Às vezes, na correria do dia a dia, um sanduíche x-caboquinho com café com leite é tudo que a gente precisa. Esses produtos têm identidade, diferente de muitos alimentos industrializados”, frisa.
Hisashi mantém duas unidades da cafeteria O Maquinista, uma localizada na Avenida Umberto Calderaro, nº 1712, bairro Adrianópolis; e outra, no Piso 2 do Shopping Ponta Negra, na Avenida Coronel Teixeira, nº 5705, bairro Ponta Negra.


