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Endividamento também avança em Manaus atingindo 88,8% das famílias

A quantidade de endividados em Manaus voltou a crescer em maio, acompanhando a média nacional. Em paralelo, há mais inadimplentes e menos insolventes na praça. Os números locais da Peic (Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor), da CNC (Conferência Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo), revelam que 88,8% das famílias locais, ou 629.531 delas, estavam com contas a vencer.

O dado supera abril (87,7% do total ou 621.316) e o patamar de um ano atrás (87% ou 608.990). O nível médio de comprometimento de renda do manauara com dívidas caiu para 32,4%, mas o tempo médio para quitação subiu para 28 semanas.

A pesquisa mostra que 50,4% das famílias locais (357.595) já estavam com as contas atrasadas em maio, superando as marcas de abril de 2026 (48,7% ou 345.405) e de maio do ano passado (47,4% ou 331.762). Quem está nessa situação, já deve há 63 dias, em média.

Já a proporção de famílias sem condições de pagar (16,3% e 1115.521) voltou a perder substância nas duas comparações. O cartão de crédito (68,6%) ainda é o vilão preferencial do endividamento das famílias de Manaus, principalmente entre os mais abastados. Na segunda posição, os carnês (53,5%) ainda têm mais vítimas entre os habitantes de menor poder aquisitivo.

Diferente do ocorrido no levantamento anterior, a cidade seguiu a média brasileira do setor. O endividamento dos brasileiros cresceu pelo quinto mês seguido na passagem de abril (80,9%) para maio (81,6%), superando com mais folga o dado de 12 meses atrás (78,2%). De acordo com a Confederação Nacional de Comércio de Bens, Serviços e Turismo, o número renovou o recorde novamente da série histórica da Peic nacional, iniciada em 2010. O grupo de famílias negativadas (29,9%) sofreu repique, enquanto a proporção de brasileiros sem condições de pagamento (12,3%) seguiu estável.

Cartões e carnês

Em meio à estabilização das taxas de juros bancários em patamar proibitivo, o cartão de crédito aumentou sua participação no bolo das dívidas, mas continua consolidado como motor do endividamento em Manaus. Respondeu por 68,6% das dívidas locais – contra os 67,2% de abril.

Os carnês (53,5%) diminuíram sua fatia e seguiram preponderantes entre os que recebem menos (54,8%), até porque os juros do comércio (5,45% ao mês e 89,04% ao ano) são menos elevados. Os demais meios de pagamento listados são crédito pessoal (21,8%), crédito consignado (12,6%), financiamento de carro (10,6%), “outras dívidas” (9,2%) e financiamento de casa (3,5%)

A parcela de consumidores de Manaus que se dizem “muito endividados” saltou de 15,7% para 17,1%, diante de abril, sendo essa, agora, uma condição mais comum entre consumidores de maior renda (18,3%). A fatia dos “mais ou menos endividados” (29,6%) engrossou, e também se mostrou predominante entre as famílias que ganham mais de dez salários mínimos mensais (35,4%). Já o grupo dos “pouco endividados” (42,1%) perdeu substância e continua um pouco maior entre as famílias de menor poder aquisitivo (43,2%). 

Os endividados de Manaus devem levar uma média de 28 semanas para quitar compromissos, proporção superior à de abril (27) e março (26). O grupo de consumidores com mais de um ano de pendências (27,3%) encolheu, assim como verificado na majoritária parcela das famílias com até três meses de compromissos programados (29,1%). Em média, os manauaras têm 32,4% de sua renda comprometida por dívidas. Uma parcela idêntica de consumidores gastam mais da metade do que ganham, mas a maioria (44%) emprega de 11% a 50% de seus vencimentos para esse fim.

O percentual de endividados que já estão inadimplentes foi elevado de 55,6% para 56,8%, na variação mensal, em alta puxada pela baixa renda (57,4%). Uma proporção minoritária, mas ainda crescente, garante que conseguirá quitar o compromisso integralmente no próximo mês (24,6%).

Há menos consumidores que estimam que vão pagar parcialmente (42,4%) e o grupo que diz que vai continuar devendo (32,3%) também encolheu. Em média, os pagamentos estão atrasados há 63 dias. O grupo de famílias ‘penduradas’ há mais de 90 dias (29,1%) ainda é predominante, mas desidratou.

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