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Estudo aponta alto impacto do Super El Niño na Amazônia

Mais de um terço das áreas habitadas da Amazônia sofreu impactos severos decorrentes da última ocorrência do El Niño. De acordo com um estudo inédito divulgado pelo MapBiomas nesta sexta-feira (4), 38% das ocupações humanas na região — o equivalente a 2.172 das 5.673 localidades analisadas — apresentaram alta exposição aos efeitos do fenômeno climático.

O levantamento utilizou dados das coleções de Cobertura e Uso da Terra, Água e Atmosfera do MapBiomas, cruzados com dados do IBGE e do Painel El Niño do Inmet. O estudo mapeou o cenário crítico registrado entre setembro e novembro do último ano, período em que o bioma enfrentou uma redução drástica nos volumes de água e chuva, além de temperaturas recordes.

Nesses três meses, a superfície coberta por água na Amazônia ficou 1,9 milhão de hectares abaixo da média histórica registrada entre 1985 e 2025. Paralelamente, o volume de precipitação caiu 27%, enquanto a temperatura máxima média subiu 2,6 ºC em relação ao padrão histórico do período.

O pesquisador Bruno Ferreira, do Imazon e integrante da equipe MapBiomas, explica que a combinação de calor extremo e escassez de chuvas intensifica a evaporação na atmosfera, retirando a umidade do solo e gerando estresse hídrico na vegetação. O cenário favorece incêndios e fragiliza o ecossistema que, ao longo dos últimos 41 anos, já perdeu 3,9 milhões de hectares de vegetação nativa — uma retração de 14% de sua cobertura original.

O impacto socioeconômico sobre os moradores locais também foi alarmante. O relatório apontou que 93% dos pontos povoados analisados (5.273 locais, incluindo áreas urbanas, rurais, terras indígenas e comunidades quilombolas) estão situados a no máximo cinco quilômetros de trechos que perderam superfície de água. A baixa dos rios comprometeu diretamente o transporte aquaviário, o abastecimento de água potável, a pesca e a subsistência das populações ribeirinhas.

Com a previsão do surgimento de um “Super El Niño” de maior intensidade para este ano, os dados servem de alerta para a urgência em adotar medidas de mitigação do estresse hídrico e de proteção às comunidades vulneráveis da Amazônia.

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