Por conta da situação e da fumaça espalhada no céu, a capital do estado já registrou cerca de 16% de aumento nos atendimentos respiratórios.

O agravamento da qualidade do ar em Manaus provocou um aumento na busca por atendimento médico devido a complicações respiratórias, oculares e de garganta. O quadro levou a prefeitura a declarar estado de atenção na capital. Em declarações recentes, o prefeito Renato Junior alertou que a concentração do material particulado vindo das queimadas tem causado quadros de irritabilidade na vista, prejuízos e desconforto à saúde da garganta e ocorrências de febre entre a população.
Índices de monitoramento da Defesa Civil Municipal apontaram que a concentração média de partículas finas – nível classificado como “péssimo” e significativamente acima dos limites seguros estipulados pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
O avanço dos atendimentos e os grupos mais atingidos
Durante o período crítico de fumaça e estiagem, a rede de saúde já contabilizou mais de 130 atendimentos oficiais decorrentes de problemas respiratórios diretamente associados à contaminação do ar na rede pública.
Os grupos mais vulneráveis e atingidos pelo ar tóxico são:
- Crianças e bebês: possuem o sistema respiratório em desenvolvimento e taxa de respiração acelerada.
- Idosos: apresentam maior suscetibilidade a complicações e queda da imunidade.
- Pessoas com comorbidades: portadores de asma, bronquite, rinite, Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) ou cardiopatias.
- Trabalhadores ao ar livre: expostos por longas jornadas à inalação direta de fumaça.
Como se proteger e evitar ida ao hospital
Para amenizar os efeitos tóxicos das partículas em suspensão e conter a sobrecarga nas unidades de pronto atendimento, especialistas e órgãos ambientais recomendam as seguintes práticas preventivas:
- Hidratação reforçada: Beba água constantemente ao longo do dia para manter as mucosas das vias aéreas úmidas e aptas a filtrar as impurezas.
- Uso de máscaras: Ao sair de casa, dê preferência às máscaras do tipo N95/PFF2 ou cirúrgicas para barrar partículas finas.
- Vedação de ambientes: Mantenha portas e janelas fechadas nos horários de pico de fumaça e evite praticar exercícios físicos ao ar livre.
- Umidificação interna: Utilize umidificadores de ar, toalhas molhadas ou bacias de água nos cômodos da casa.
- Higienização das mucosas: Aplique soro fisiológico nos olhos e nas narinas com frequência para reduzir o ressecamento e a irritação.
O que a Prefeitura de Manaus recomenda e ações em curso
Por meio do Comitê de Crise Climática e da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), a Prefeitura de Manaus orienta:
- Uso da Atenção Básica: Pessoas com sintomas leves (coceira nos olhos, irritação na garganta, tontura ou tosse leve) devem procurar primariamente as Unidades Básicas de Saúde (UBSs). O atendimento de urgência e o SAMU (192) devem ser acionados prioritariamente em episódios graves, como falta de ar severa ou dores no peito.
- Combate a focos e denúncias: Fazer a queima de lixo doméstico ou folhagens é crime ambiental e agrava o problema na capital. A prefeitura orienta denúncias pelo telefone 153 (Guarda Municipal) ou pelo portal oficial do município. Incêndios em vegetação devem ser reportados ao Corpo de Bombeiros no 193.
Crianças

As crianças de Manaus são as principais vítimas da cortina de fumaça tóxica que encobre a capital. Com o sistema respiratório ainda em desenvolvimento, os pequenos sofrem imediatamente os impactos do ar insalubre, que atingiu níveis críticos e acendeu o alerta vermelho na saúde pública.
Segundo monitoramento do aplicativo Selva, desenvolvido pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA), o teto de poluição disparou. Das 11 estações de medição da cidade, oito indicaram qualidade “péssima” do ar. O cenário mais alarmante concentrou-se na zona sul, entre o Distrito Industrial e o Buriti, onde os sensores registraram o índice de 551,2 por volta das 5h, consolidando esta como a pior medição do ano de 2026.
O perigo invisível dentro e fora de casa
A vulnerabilidade infantil nesses cenários vai muito além do desconforto imediato. A médica pediatra Bárbara Taques explica o comportamento do organismo dos pequenos sob essa exposição severa: “A fumaça tem uma ação irritativa direta na árvore respiratória e prejudica a resposta imunitária natural frente a infecções. Quando os pulmões da criança são expostos a essa poluição extrema, o organismo fica vulnerável, acelerando processos inflamatórios. O que já está ruim tende a piorar rapidamente se não agirmos rápido”, adverte a especialista.
A médica alerta ainda que o perigo persiste mesmo quando as chamas dão trégua, pois os poluentes invadem o ambiente doméstico. “É preciso lembrar que os resíduos tóxicos trazidos pela poluição e pelas queimadas impregnam os ambientes e as superfícies domésticas. As pequenas partículas nocivas se depositam em móveis, sofás, cortinas e brinquedos, mantendo a criança em contato contínuo com agentes irritantes”, destaca a especialista.
Como blindar a saúde dos filhos em dias críticos
Para reduzir os danos à saúde respiratória dos pequenos, os pais e responsáveis devem adotar medidas imediatas de proteção:
- Feche o tempo contra o ar externo: Mantenha portas e janelas completamente fechadas para evitar que a fuligem e os gases tóxicos entrem na residência.
- Hidratação reforçada: Ofereça água, sucos e água de coco constantemente. Manter as mucosas hidratadas ajuda o corpo a filtrar e expelir as micropartículas.
- Umidificação dos cômodos: Utilize aparelhos umidificadores, espalhe bacias com água ou pendure toalhas molhadas nos quartos onde as crianças descansam.
- Isolamento de atividades: Suspenda temporariamente qualquer brincadeira, treino ou atividade física em áreas abertas ou quadras descobertas.
- Atenção aos sinais de socorro: Monitore de perto sintomas como tosse seca contínua, chiado no peito, coriza, olhos vermelhos, lacrimejamento e cansaço excessivo.
Se a criança manifestar dificuldade para respirar, cansaço ao falar ou se o esforço respiratório provocar o afundamento das costelas, ela deve ser levada imediatamente ao pronto-socorro infantil.
Onde buscar ajuda
Se a criança manifestar dificuldade para respirar, cansaço ao falar ou se o esforço respiratório provocar o afundamento das costelas, ela deve ser levada imediatamente ao pronto-socorro infantil. Busque atendimento em uma destas unidades 24 horas:


