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IBGE vai testar na capital amazonense metodologia para censo da população de rua

Em Manaus, a prefeitura estima em 3 mil as pessoas que vivem na rua, concentradas principalmente na zona sul e na área central da cidade.

CORETO

Manaus será uma das cinco capitais brasileiras a participar do Teste-Piloto do 1º Censo Nacional da População em Situação de Rua, do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O teste ocorrerá entre 31 de agosto e 4 de setembro de 2026. O objetivo é testar metodologias, tecnologias e procedimentos que serão usados na contagem oficial, prevista para junho de 2028.

Desde o primeiro censo, em 1872, a contagem populacional sempre se baseou em domicílios fixos. Agora, pela primeira vez, o IBGE vai mapear quem vive nas ruas. Serão consideradas pessoas em situação de rua aquelas que dormiram em vias públicas, instituições ou locais não residenciais por ao menos uma noite nos sete dias anteriores à coleta, critério definido pelo Decreto nº 7.053/2009.

O IBGE fará três tipos de testes. Os metodológicos vão avaliar os questionários aplicados por tablet, medindo o tempo de aplicação e a compreensão das perguntas pelos entrevistados. Os tecnológicos vão checar o desempenho do aplicativo de coleta e a usabilidade dos equipamentos. E os operacionais vão observar o fluxo de trabalho das equipes, a transmissão dos dados e as adaptações necessárias para públicos específicos, como indígenas, migrantes e refugiados.

As cinco capitais-piloto, uma por região do país, são Belo Horizonte, Goiânia, Florianópolis, Manaus e Salvador.

O ministro Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral da Presidência da República, disse que dados precisos vão permitir elaborar políticas públicas mais eficazes para tirar essa população da invisibilidade estatística.

Em Manaus, a prefeitura estima em 3 mil as pessoas que vivem na rua, concentradas principalmente na zona sul e na área central da cidade. O perfil predominante é de homens entre 25 e 55 anos. Entre as causas mais citadas estão desemprego, crise econômica, conflitos familiares, violência doméstica, dependência química, problemas de saúde mental e falta de acesso a políticas habitacionais.

No Brasil, segundo levantamento do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua, da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), o país tem 320 mil pessoas vivendo nas ruas, número que cresceu significativamente na última década.

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