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Justiça Federal torna réus quatro homens por garimpo no Amazonas

Além da condenação criminal, o Ministério Público Federal pede que paguem R$ 2,1 milhões para reparar os danos ambientais e patrimoniais causados pela atividade ilegal.

Quatro homens viraram réus nesta segunda-feira (27), na Justiça Federal no Amazonas acusados de manter um garimpo ilegal de cassiterita no Parque Nacional Mapinguari, localizado no município de Lábrea, no interior do estado. A denúncia do Ministério Público Federal (MPF) foi aceita pelo Judiciário, e os investigados responderão pelos crimes de usurpação de bem da União, extração ilegal de recursos minerais e dano direto a unidade de conservação.

Entre os réus estão dois homens presos em flagrante enquanto operavam máquinas na extração do minério e um terceiro localizado em um acampamento de apoio, que admitiu participar das rotinas do local. O quarto acusado é apontado como financiador e comandante do garimpo. Ele fugiu para a mata durante a fiscalização, mas acabou identificado após esquecer no acampamento uma mochila com seus documentos pessoais.

A Operação e a Estrutura Encontrada

De acordo com o MPF, a exploração clandestina funcionava no local desde antes de 2007 e permaneceu ativa até 26 de julho de 2023. A atividade foi interrompida durante a “Operação Oportunidade V”, deflagrada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

No acampamento montado no meio da floresta, os agentes encontraram uma infraestrutura completa para extração de cassiterita — minério utilizado na produção de estanho, telas de smartphones e peças automotivas. Foram apreendidos:

  • Motores-bomba e dutos de sucção;
  • Máquinas de separação de minério;
  • Equipamentos para desmonte hidráulico.

Por se tratar de um Parque Nacional — unidade de conservação de proteção integral —, a legislação proíbe estritamente qualquer tipo de exploração de recursos naturais no local. Investigações confirmaram que nem o Ibama nem a Agência Nacional de Mineração (ANM) possuíam qualquer registro de licença ambiental ou autorização de lavra em nome dos réus.

Devastação Ambiental e Prejuízos

Laudos da Polícia Federal (PF) e autos de infração do ICMBio revelam a dimensão do impacto ambiental causado pela estrutura criminosa:

Impacto IdentificadoExtensão / Detalhes
Vegetação destruída39 hectares de floresta nativa
Cursos d’água afetados4,8 km em Áreas de Preservação Permanente (APPs)
Danos ao ecossistemaAterramento de nascentes, cavas inundadas, desvio de drenagem e contaminação de solo, água e ar

Pelas infrações, o ICMBio aplicou uma multa de R$ 450 mil. Paralelamente, a perícia da PF calculou em R$ 2.180.871,36 o valor mínimo necessário para a recuperação da área degradada e a compensação pelos serviços ambientais perdidos.

Pedidos do Ministério Público Federal

Além da condenação criminal dos quatro envolvidos, o MPF solicita à Justiça:

  1. Reparação de Danos: Pagamento de R$ 2.180.871,36 para cobrir os prejuízos ambientais e patrimoniais;
  2. Danos Morais Coletivos: Indenização de R$ 10 mil a ser destinada ao Fundo de Defesa dos Direitos Difusos;
  3. Perdimento de Bens: Entrega de toda a cassiterita apreendida na operação à Agência Nacional de Mineração.

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