
A candidata Keiko Fujimori, do Força Popular, foi declarada presidente eleita do Peru nesta segunda-feira com 50,135% dos votos após o fim de uma longa apuração eleitoral. Com uma diferença de pouco mais de 49 mil votos, a filha do ex-ditador Alberto Fujimori saiu vitoriosa do pleito após três outras tentativas frustradas, em 2011, 2016 e 2021, confirmou a Oficina Nacional de Processos Eleitorais do país. O esquerdista Roberto Sánchez, da coligação Juntos pelo Peru, herdeiro político do ex-presidente Pedro Castillo, terminou a corrida eleitoral com 49,865% dos votos.
A longa apuração das urnas do segundo turno, que durou 22 dias, foi precedida por um processo eleitoral conturbado, com acusações de fraudes, problemas logísticos e questionamentos sobre a lisura do pleito.
Com 99,86% das urnas apuradas, Fujimori tinha 50,12% dos votos, uma vantagem de pouco mais de 43 mil votos sobre seu rival de esquerda, Roberto Sánchez, e que não pode mais ser revertida, segundo as autoridades eleitorais.
Aos 51 anos, ela enfrentou Sánchez em um segundo turno apertado realizado no último 7 de junho, sob a ainda divisiva herança política de seu pai, que governou o Peru na década de 1990. Em um país acostumado à instabilidade política e que teve oito presidentes desde 2016, Keiko não precisa fazer grande esforço para se projetar nacionalmente. Seu sobrenome é conhecido em todos os cantos do Peru.
— É uma “marca” que está bem posicionada, gostem ou não — afirmou o cientista político Jorge Aragón.
Elegante e bem preparada, com seus terninhos impecáveis e sorriso treinado, Keiko parece alguém criada para a política. Formada em Administração nos Estados Unidos, ela foi parlamentar, liderou o partido Força Popular e cresceu nos corredores do poder. Aos 19 anos, tornou-se primeira-dama depois que sua mãe rompeu publicamente com Alberto Fujimori, e cresceu convivendo com chefes de Estado e líderes estrangeiros.


