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Manaus em período crítico para calor recorde, seca severa e alta de síndromes respiratórias

A consolidação do chamado “verão amazônico” a partir deste mês de julho acendeu o sinal de alerta na capital amazonense. A cidade volta a enfrentar uma combinação climática desafiadora: temperaturas acima da média histórica, queda acelerada no volume dos rios e um aumento expressivo no atendimento a problemas de saúde provocados pela transição para o período seco.

De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a previsão para este trimestre indica que as chuvas ficarão abaixo da média e as temperaturas devem registrar pelo menos 1°C acima do esperado para a época.

O cenário ganha contornos ainda mais complexos com o alerta emitido pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB), que monitora o ritmo de descida das calhas dos rios Solimões e Negro. Os dados apontam para o risco iminente de uma estiagem severa neste segundo semestre, visto que o período seco começou sem que as bacias hidrográficas tivessem tempo para uma recuperação completa.

Termômetros em alta e sensação de abafamento

Entre julho e outubro, meses marcados pela redução drástica das chuvas e menor nebulosidade, Manaus tradicionalmente registra suas marcas térmicas mais elevadas. No entanto, os modelos meteorológicos indicam que este ano será mais rigoroso.

Os termômetros devem operar consistentemente acima das médias históricas, aproximando-se com frequência de picos entre 36°C e 38°C entre os meses de agosto e setembro.

Indicador TérmicoHistórico da ÉpocaProjeção Atual (Inmet)
Temperatura Mínima Média24°C a 25°C (madrugadas)Acima da média
Temperatura Máxima Média33°C a 35°C (tarde)Picos frequentes de 36°C a 38°C
Sensação Térmica Urbana38°C a 40°CPotencializada pela umidade e abafamento

O avanço rápido da seca, além de ameaçar a logística do transporte fluvial — essencial para a economia e abastecimento da região —, também compromete a qualidade do ar, impactando diretamente o bem-estar da população urbana.

Casos de SRAG passam de 2,5 mil

Os efeitos da transição climática já sobrecarregam a rede de assistência à saúde em Manaus. Dados do painel epidemiológico da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS) revelam que o estado já acumula mais de 2,5 mil notificações de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). A capital amazonense lidera o número de ocorrências, concentrando a maior parte dos casos estaduais.

Perfil Epidemiológico da SRAG no Amazonas:

  • Principais agentes identificados: Vírus Sincicial Respiratório (VSR), Influenza e outros vírus respiratórios.
  • População mais afetada: Crianças pequenas e idosos.
  • Fatores ambientais agravantes: Amplitude térmica (variação brusca de temperatura), baixa umidade relativa do ar e excesso de poeira em suspensão.

As autoridades sanitárias alertam que as oscilações térmicas diárias, somadas à poeira e à provável dispersão de fumaça decorrente de queimadas na região metropolitana e no interior, funcionam como gatilhos para crises agudas de asma, bronquite e quadros graves de infecção pulmonar.

Como medida de prevenção, a FVS reforça a urgência na atualização da carteira de vacinação — principalmente contra a Influenza e a Covid-19 — e orienta a população a redobrar os cuidados com a hidratação contínua, com atenção especial voltada para crianças e idosos, os grupos mais vulneráveis deste período.

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