
O avanço desenfreado dos acidentes de trânsito em Manaus continua sobrecarregando a rede pública de saúde. Entre janeiro e agosto de 2026, os hospitais da capital amazonense registraram a entrada de 14.164 vítimas de acidentes com motocicletas, o que representa uma média impressionante de 58 atendimentos por dia. Os dados são da Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM), divulgado nesta -feira (11).
O cenário reflete uma alta de 17,1% em relação ao mesmo período de 2025, quando 12.097 motociclistas deram entrada nas unidades hospitalares — uma média diária de 50 atendimentos. Na prática, o sistema público de saúde passou a absorver cerca de oito novas vítimas de moto a cada 24 horas.
O Peso Financeiro e Hospitalar para o Estado
Além do impacto humano e social, a escalada nos sinistros gera uma forte pressão financeira sobre os cofres públicos. No Brasil, cada internação hospitalar decorrente de acidente com motocicleta custa, em média, R$ 6.475,97 ao Sistema Único de Saúde (SUS), considerando uma permanência média de quatro dias. Em casos graves que exigem UTIs, procedimentos cirúrgicos ortopédicos e longos períodos de reabilitação, o custo total por paciente pode ultrapassar a casa dos dezenas de milhares de reais.
Tomando como base o custo médio hospitalar de R$ 6.475,97 por paciente de motocicleta, o atendimento aos 14.164 motociclistas acidentados nos primeiros oito meses deste ano representa um impacto financeiro estimado em mais de R$ 91,7 milhões para a saúde pública.
| Modalidade de Acidente | Atendimentos (Jan-Ago 2025) | Atendimentos (Jan-Ago 2026) | Variação (%) |
| Motocicletas | 12.097 | 14.164 | +17,1% |
| Carros | 1.013 | 1.081 | +6,7% |
| Atropelamentos | 671 | 519 | -22,7% |
| Total Geral | 13.781 | 15.764 | +14,4% |
Motos Dominam as Ocorrências de Trânsito
Os acidentes envolvendo motocicletas já representam a absoluta maioria dos socorros médicos prestados na capital. Das 15.764 entradas hospitalares registradas no total acumulado dos três tipos de ocorrências (motos, carros e atropelamentos) até agosto de 2026, quase 90% (89,8%) foram de motociclistas.
Ao considerar todos os sinistros de trânsito somados, a média de atendimentos na capital subiu de 57 por dia em 2025 para quase 65 por dia em 2026. O crescimento dos acidentes de carro seguiu uma trajetória de alta mais amena (6,7%), passando de 1.013 para 1.081 casos. Em contrapartida, os atropelamentos registraram queda de 22,7%, reduzindo de 671 para 519 ocorrências.
Apesar da redução no número de pedestres atingidos, a disparada dos acidentes com motos puxou o balanço geral de vítimas para cima, resultando em um crescimento total de 14,4% nos atendimentos de urgência no estado.


