Portal Você Online

Manejo sustentável do pirarucu impulsiona a economia indígena no Amazonas

A organização comunitária e a gestão ambiental no território indígena Boca do Jurupari, localizado na região do Médio Solimões, transformaram a pesca do pirarucu em uma importante fonte de autonomia econômica e geração de renda. Com apoio técnico do Instituto Mamirauá, 48 indígenas do povo Kokama estruturaram todas as etapas da atividade sustentável, resultando no alcance de cotas de 260 a 300 peixes em uma única semana — um avanço produtivo expressivo em comparação com anos anteriores, quando o processo levava até duas semanas para capturar apenas dez exemplares.

Faturamento e Autonomia Financeira

A comercialização direta do pescado vem ampliando as margens financeiras das famílias produtoras ao eliminar a figura de intermediários e atravessadores:

  • Impacto Financeiro: Em 2025, a participação na 21ª Feira do Pirarucu de Manejo Sustentável movimentou R$ 180 mil.
  • Investimentos e Reinvestimento Local: Os recursos obtidos foram divididos entre as famílias participantes e reinvestidos na infraestrutura da comunidade, financiando a aquisição de suprimentos, a reforma de uma embarcação e a manutenção de dois flutuantes que funcionam como base operacional.
  • Valorização do Produto Legal: A venda direta aproxima o consumidor final do produtor, agregando valor à marca da conservação e fortalecendo o diálogo sobre a origem sustentável do alimento.

Preservação de Ativos e Governança Territorial

A sustentabilidade econômica da atividade depende do controle e proteção dos ecossistemas aquáticos. Atualmente, os comunitários resguardam o Lago Jurupari Grande e mantêm a vigilância sobre outros 60 lagos inseridos no Acordo de Pesca da região. A recuperação dos estoques assegura a viabilidade comercial do pirarucu no longo prazo e consolida a participação dos povos originários na matriz econômica regional.

Com os resultados positivos obtidos no território Kokama, a metodologia de manejo assistida pelo Instituto Mamirauá — órgão vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e financiado por parceiros como o Fundo Amazônia e o BNDES — vem expandindo seu modelo de sustentabilidade financeira e governança para outros territórios da calha do Médio Solimões, como Tapiira e Porto Praia.

Notícias Relacionadas

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *