Com 253 profissionais mobilizados e 2,6 milhões de litros de água lançados, estado enfrenta índice prejudicial da qualidade do ar e fiscalização do TCE-AM.

A Operação Amazonas 2026, coordenada pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima com atuação do Ibama/Prevfogo, mantém 253 profissionais em campo para conter o avanço dos incêndios florestais no estado. Até o momento, o balanço acumulado contabiliza 361 incêndios extintos, 749,2 horas de voo e o lançamento de 2,69 milhões de litros de água por via aérea.
Mesmo com a mobilização, o monitoramento registrava 91 focos de calor ativos distribuídos em pontos estratégicos:
- Andirá-Marau e Parintins: 54 focos
- Autazes: 30 focos
- Itacoatiara: 7 focos
A infraestrutura engloba 51 veículos e aeronaves, incluindo seis aviões Air Tractor, quatro helicópteros, um avião Caravan, quatro embarcações, caminhões-pipa e de combustível, além de viaturas 4×4. Entre as aeronaves, destaca-se o uso do modelo KC-390, da Força Aérea Brasileira, responsável por lançar isoladamente 780 mil litros de água.
As frentes de trabalho concentram-se em áreas de alta vulnerabilidade, como o Projeto de Assentamento Vila Amazônia, o Refúgio de Vida Silvestre Sauim-de-Coleira e terras indígenas como São Félix, Sissaíma e Coatá-Laranjal.
R$ 3,1 Milhões em Multas e Embargos Ambientais
Paralelamente às ações de combate direto às chamas, as equipes de fiscalização do Ibama atuam na responsabilização por infrações ambientais. Entre 12 e 23 de outubro, as operações resultaram em:
- 26 autos de infração: Somando R$ 3.179.004,50 em multas aplicadas.
- 25 termos de embargo: Abrangendo uma extensão total de 340,35 hectares.
- Apreensões: 14 ocorrências avaliadas em aproximadamente R$ 305 mil.
Qualidade do Ar Atinge Níveis Críticos em Manaus
Apesar da atuação ostensiva no interior, a poluição atmosférica voltou a impactar gravemente a capital. Na última quarta-feira (28), Manaus figurou no topo do ranking nacional de pior qualidade do ar, segundo a plataforma internacional IQAir.
| Indicador e Estação | Valor Registrado | Classificação de Risco |
| Índice Global (IQAir) | AQI 152 | Prejudicial a Grupos Sensíveis |
| Concentração MP2,5 (IQAir) | 54,8 µg/m³ | Elevada |
| Regiões de Petrópolis e Praça 14 (SELVA/UEA) | 89,0 µg/m³ | Crítico |
| Bairros Educandos, Colônia e Vila Buriti (SELVA/UEA) | 79,8 µg/m³ | Crítico |
O material particulado fino (MP2,5) representa alto risco à saúde humana por sua capacidade de penetrar profundamente no sistema respiratório, agravando quadros cardíacos e pulmonares, sobretudo em idosos, crianças e doentes crônicos.
TCE-AM Fiscaliza Ações da Gestão Municipal
Em decorrência da crise climática e dos episódios de fumaça, o Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM) admitiu uma representação para fiscalizar a atuação da Prefeitura de Manaus diante da estiagem e da poluição em 2026.
A apuração — provocada por pedido do vereador Rodrigo Guedes (Republicanos) — avaliará a integração entre as secretarias municipais de meio ambiente, saúde, educação e defesa civil, além de checar a transparência na comunicação de riscos à população. O documento protocolado pontua controvérsias entre medições, como o registro de 140,5 µg/m³ medido pela rede SELVA em 8 de outubro contra a média de 73,65 µg/m³ informada pela gestão municipal na ocasião. A admissão pelo tribunal marca o início da instrução do processo.


