Aeronave caiu em rio no município de Tonantins; piloto ferido admitiu à polícia que voava sem licença com destino à coleta de entorpecentes.

Um acidente aéreo ocorrido no interior do Amazonas trouxe à tona novos desdobramentos sobre as rotas do narcotráfico na Região Norte do país. Um avião de pequeno porte caiu nas águas de um rio próximo à comunidade do Caeté, na zona rural do município de Tonantins. O piloto, identificado como ex-militar da Polícia Militar de Rondônia, Silvio Sanddi Larazi Pinto, (34), com histórico criminal e condenações que somam penas severas na Justiça, sobreviveu à queda e confessou aos agentes de segurança que a viagem tinha como objetivo o transporte clandestino de drogas.
O Acidente e a Confissão
A aeronave submergiu parcialmente após o impacto com a água. Moradores e ribeirinhos da comunidade auxiliaram no resgate inicial do piloto, que sofreu escoriações pelo corpo e foi posteriormente encaminhado sob custódia para a unidade hospitalar da sede de Tonantins, onde seu quadro de saúde permanece estável.



Durante a abordagem policial, o suspeito admitiu que operava a aeronave de forma completamente irregular, sem habilitação (brevê) nem documentação do avião emitida pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC). Em depoimento preliminar prestado às autoridades locais, ele revelou que o plano de voo visava buscar um carregamento de entorpecentes em uma área isolada da Calha do Alto Solimões.
Histórico Criminal e Conexões com Rondônia
As checagens efetuadas pelas forças de segurança revelaram o perfil do piloto:
- Vínculo Policial: Trata-se de um ex-militar expulso dos quadros da Polícia Militar de Rondônia após envolvimento prévio com atividades ilícitas.
- Passado Penal: O homem acumula extensa ficha criminal e condenações na Justiça que superam 50 anos de prisão por crimes ligados ao crime organizado e ao tráfico de drogas.
- Modus Operandi: A utilização de pistas clandestinas e aeronaves não registradas por ex-integrantes de forças policiais reforça o modus operandi de facções criminosas para burlar a fiscalização na fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru.
Investigação e Próximos Passos
O caso foi registrado no 54º Distrito Integrado de Polícia (DIP) de Tonantins. A Secretaria de Estado de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) e a Polícia Federal apuram a origem da aeronave, a identificação dos financiadores do voo e a possível rede de apoio logístico na região.
O ex-militar permanecerá sob escolta policial até receber alta médica, momento em que será transferido para o sistema prisional para responder por novas acusações, incluindo tráfico de drogas e atentado contra a segurança do transporte aéreo.


