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“Serei um senador de coragem”, diz Alberto Neto contra crime

Em primeira entrevista como candidato ao Senado, parlamentar coloca segurança pública no centro da campanha, defende redução da maioridade penal, castração química para estupradores e maior rigor contra facções criminosas

“Serei um senador de coragem.” Foi assim que o deputado federal e candidato ao Senado Capitão Alberto Neto (PL-AM) definiu a postura que pretende adotar no Senado para representar o Amazonas na Casa Alta. Em entrevista concedida ao Jornal do Comércio, nesta segunda-feira (17), um dia após iniciar oficialmente sua campanha, o parlamentar colocou no centro de suas propostas o enfrentamento ao crime organizado, redução da maioridade penal e penas mais severas para estupradores.

Ao fazer um balanço dos dois mandatos na Câmara dos Deputados, Alberto Neto afirmou que pretende ampliar no Senado a atuação em defesa dos interesses do Amazonas. Para o candidato, a representatividade de três senadores por estado aumenta o peso político de cada parlamentar e abre espaço para uma atuação ainda mais incisiva em pautas estratégicas.

“Quero estar no Senado para defender o nosso estado com unhas e dentes, como já fizemos na Câmara nos últimos oito anos. Imagina tudo o que conseguimos mesmo sendo oposição: oito leis e uma emenda constitucional. Agora imagina no Senado, onde cada estado tem apenas três senadores e as condições são iguais”, afirmou Alberto Neto.

Redução da maioridade penal

Entre as pautas de endurecimento da legislação defendidas por Alberto Neto está a redução da maioridade penal. Na semana passada, o deputado participou da instalação da comissão especial da Câmara criada para analisar a proposta. Durante a entrevista desta segunda-feira, o candidato voltou a defender a mudança e afirmou que adolescentes a partir dos 16 anos têm consciência dos atos que praticam.

Para Alberto Neto, a redução da maioridade penal não resolveria sozinha o problema da violência, mas ajudaria a combater a sensação de impunidade.

“A ministra dos Direitos Humanos esteve no Amazonas criticando a proposta de redução da maioridade penal. A gente sabe que uma lei por si só não resolve, mas existe a sensação de impunidade. Um jovem que pode eleger o presidente do Brasil tem capacidade e consciência dos crimes que comete. A gente precisa proteger a vítima, e não o criminoso. Criminoso tem que ter uma legislação dura e severa”, afirmou.

Combate ao crime organizado

Capitão Alberto Neto destacou como um dos principais desafios para o Amazonas o controle das fronteiras e o avanço do crime organizado. Policial militar de carreira e especialista em segurança pública, o candidato alertou para a posição geográfica do estado, que faz fronteira com países produtores de drogas, e defendeu o fortalecimento da presença do poder público nessas regiões.

“Eu estou muito preocupado com a segurança pública do Amazonas. Estudei muito, sou especialista em segurança pública e sei que o nosso estado está largado às traças. A gente faz fronteira com os maiores produtores de droga do mundo e precisa fazer o Estado presente. Não podemos tratar CV e PCC como um grupinho que vende droga. Eles estão infiltrados na política, estão entrando na polícia, usam armas de guerra”, ressaltou.

Ao tratar da situação da fronteira, o candidato citou ainda Tabatinga como uma das regiões que precisam de maior atenção do poder público. Segundo o parlamentar, o fortalecimento das estruturas de segurança e da presença do Estado é fundamental para dificultar a atuação de organizações criminosas que utilizam as rotas amazônicas para o tráfico de drogas.

Na avaliação do Capitão, o crescimento das facções e a ampliação de sua capacidade financeira, operacional e bélica exigem uma mudança na forma como o Estado brasileiro enfrenta essas organizações. Alberto Neto defendeu que grupos como CV e PCC sejam tratados com maior rigor pela legislação.

“Essas facções hoje causam terror na vida do brasileiro. Elas fazem negócios com grupos terroristas, trocam informações, armas, têm uma estrutura muito grande. Então, se elas agem como grupos terroristas, precisam ser classificadas como tal. A gente não pode continuar tratando CV e PCC como um grupinho que vende droga”, defendeu Alberto Neto.

Nesse cenário, o candidato apontou o Senado como peça fundamental para avançar em mudanças na legislação penal e fortalecer os instrumentos de combate ao crime organizado. Para Alberto Neto, a prioridade das políticas de segurança deve estar na proteção das vítimas e no endurecimento das punições contra criminosos.

“A gente precisa de um Senado com coragem, que lute pelo Amazonas e que não tenha medo de enfrentar o crime. Não dá mais para proteger criminoso enquanto a vítima fica esquecida. Quem precisa ter medo é o bandido, e não a vítima”, enfatizou.

Castração química para estupradores

A defesa por uma legislação mais rígida também aparece em outra bandeira de Alberto Neto: a castração química para estupradores. O tema já integra a atuação do parlamentar na Câmara dos Deputados, onde ele foi o relator da proposta.

Alberto Neto defendeu que o tratamento hormonal seja utilizado como condição para a concessão da progressão de regime nos casos previstos pela proposta.

“Eu sou relator de um projeto que trata da castração química para estupradores. Hoje a gente tem um regime de progressão de pena em que o estuprador volta muito fácil para a sociedade. No projeto que eu fui relator, coloquei que só vai ter progressão de pena se aceitar a castração química. É um tratamento hormonal. A gente precisa proteger a vítima, não o criminoso”, reforçou o deputado.

Ao defender as propostas, Alberto Neto afirmou que pretende levar ao Senado uma atuação voltada ao endurecimento da legislação criminal, ao enfrentamento das facções e ao fortalecimento das forças de segurança, especialmente no Amazonas.

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