Vereador criticou classificação imposta pelo Ministério da Justiça e considera mudança uma vitória da mobilização em defesa da liberdade religiosa

O vereador Raiff Matos (PL) comemorou, nesta terça-feira (3), em Manaus, a decisão do Ministério da Justiça e Segurança Pública de voltar atrás na classificação indicativa dos desenhos bíblicos exibidos pela Record. O governo federal restabeleceu a classificação livre do programa após a reação de parlamentares e lideranças cristãs. Raiff havia criticado duramente a medida durante pronunciamento na Câmara Municipal de Manaus (CMM), classificando a restrição como incoerente e uma forma de perseguição aos cristãos.
Para o parlamentar, o recuo representa uma vitória das famílias cristãs e mostra a importância de reagir a decisões que, na sua avaliação, atingem valores religiosos e a liberdade de expressão.
A polêmica começou após o Ministério da Justiça reclassificar, em 28 de outubro, o programa Record Kids: Desenhos Bíblicos, de classificação livre para não recomendado a menores de 12 anos. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União no dia seguinte.
O governo justificou a mudança pela presença de conteúdos relacionados a atos criminosos, drogas lícitas, violência e estigma ou preconceito. A portaria também recomendava que a atração fosse exibida na televisão aberta a partir das 20h.
A medida provocou reação de parlamentares, que questionaram os critérios utilizados pelo governo para restringir a classificação de animações baseadas em histórias da Bíblia.
Raiff denunciou incoerência e perseguição
Antes de o governo rever a decisão, Raiff Matos levou o assunto à tribuna da Câmara Municipal de Manaus. Durante o pronunciamento, o vereador criticou o tratamento dado aos desenhos bíblicos e comparou a restrição com a presença de conteúdos de caráter sexual em outros programas de televisão.
“Essa é uma decisão injusta, no mínimo incoerente. A palavra é incoerência total”, afirmou o parlamentar.
Raiff questionou o que considera uma inversão de valores na avaliação de conteúdos destinados ao público infantil. Segundo ele, programas de entretenimento que expõem crianças a situações inadequadas também precisam ser alvo de atenção do poder público.
O vereador foi ainda mais enfático ao interpretar a decisão como um ataque à fé cristã.
“Eu quero deixar bem claro aqui: é uma perseguição. A Bíblia já nos relata isso, que no fim dos tempos nós seríamos perseguidos”, declarou.
Recuo após pressão
A decisão anunciada nesta terça-feira restabeleceu a classificação livre das animações bíblicas, revertendo a restrição adotada na semana passada.
Para Raiff Matos, o episódio reforça a necessidade de vigilância diante de medidas que possam limitar a manifestação da fé cristã. O vereador considera que a mobilização de parlamentares e da sociedade teve papel importante na mudança de posição do Ministério da Justiça.
Exibido aos domingos pela manhã, o Record Kids apresenta animações inspiradas em passagens bíblicas, incluindo episódios sobre a vida, a morte e a ressurreição de Jesus Cristo. O programa integra a programação da Record desde 2003.


