Com o mercado de proteína suína em expansão recorde e o consumo crescendo 35% em quinze anos, a linguiça consolida seu posto enquanto protagonista do churrasco nacional

Já ouviu falar em churrasco sem linguiça? Pode ser no terreiro de terra batida no interior de Minas, em alguma na laje na capital fluminense, na área coberta de uma chácara em São Paulo ou em um quintal de uma casa no litoral do Nordeste. Onde tem braseiro aceso tem linguiça. E onde tem linguiça, tem gente, histórias, risadas e conexões. Além de ser parte da cultura do brasileiro, a peça faz parte de um setor que bate recordes consecutivos e que coloca o Brasil entre os maiores exportadores mundiais de proteína suína.
A linguiça, que tem o sabor das boas conversas, é parte de um segmento que tem conquistado cada vez mais a mesa do brasilero. Dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) constatam o crescente interesse e apontam que o consumo per capita de carne suína no Brasil avançou 35% nos últimos quinze anos. Em 2010, foram consumidos 14 quilos por habitante. Já em 2025, 19 quilos da proteína foram consumidos por cada brasileiro. O setor também projeta expansão para este ano e trabalha com um crescimento de cerca de 2,5%. Minas Gerais também vê a expansão do setor e números da Suinco confirmam o contexto nacional.
A disponibilidade de carne suína nas prateleiras dos supermercados é um dos fatores que traduzem o movimento de expansão e interesse na proteína. Foram 3,952 milhões de toneladas fornecidas internamente em 2024. No ano seguinte, o número chegou a aproximadamente 4,060 milhões. A projeção para 2026 também é de nova alta e prevê cerca de 4,150 milhões de toneladas destinadas ao mercado interno. “São números que confirmam a consolidação da proteína suína na dieta do brasileiro e demonstram o crescimento exponencial do setor ao longo dos anos. De forma sustentável, podemos dizer que a carne de porco se tornou uma commodity relevante para a balança comercial do país”, analisa Bruno Silva, gerente Comercial da Suinco.
Saborosa e acessível
Dentro dessa equação, a linguiça ocupa posição de destaque na mesa nacional. Ao lado do presunto e da mortadela, representa a maior parte do volume do que é produzido pelas cooperativas e indústrias com foco no mercado interno. “O fácil e rápido preparo reflete exatamente o comportamento de um consumidor que quer sabor, conveniência e custo-benefício”, explica o gerente Comercial da Suinco.
Em meio a um cenário de pressão inflacionária sobre os alimentos, a carne suína também tem se consolidado como a alternativa mais competitiva ao consumidor brasileiro. Dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) apontam que, no início de 2026, o preço da carcaça suína atingiu o menor patamar real desde abril de 2024, quando deflacionado pelo IPCA. Na comparação anual, a queda de 22% no preço em fevereiro deste ano posicionou a proteína suína como a mais barata entre as carnes negociadas no varejo. “O competitivo valor final da proteína de porco não explica em si seu sucesso na mesa dos brasileiros. Além do sabor, o valor nutricional supera o de outras proteínas animais do mercado. Quando aliamos esses fatores ao custo para o consumidor, temos dados ainda mais concretos para explicar a preferência”, contextualiza Bruno Silva.


