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Avanço do crime organizado eleva apreensão de fuzis no Amazonas

Expansão de facções como o Comando Vermelho e avanço de “ghost guns” impulsionam corrida armamentista e escalada da violência no Norte do país.

A expansão das rotas do narcotráfico na Região Norte e no Amazonas consolidou uma perigosa mudança no perfil do crime organizado: a corrida por armas de grosso calibre. Empurrado pela disputa territorial entre facções como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC), o avanço do poder de fogo no Norte reflete o levantamento “A nova cadeia de suprimentos do crime”, do Instituto Sou da Paz. O estudo mostra que a interiorização e a nacionalização de armamentos pesados atingiram em cheio a região, onde estados vizinhos como o Pará registraram salto de 360% nas apreensões de fuzis em cinco anos.

No cenário nacional, as apreensões do armamento saltaram de 807 em 2021 para 2.137 em 2025 — alta de 164,8% —, com o armamento pesado deixando de ser exclusividade do eixo Rio-São Paulo para se fardarem nas divisas da Amazônia Legal. A lógica da ocupação e do domínio dos rios e fronteiras exige presença militarizada das quadrilhas, transformando o fuzil no principal instrumento de coerção e domínio de território.

A modernização do arsenal criminoso no Norte também acompanha a evolução das pistolas, que subiram de 20,7% para 27,8% do total de armas recolhidas pelas forças de segurança. A transição ocorre em detrimento do uso de revólveres tradicionais, refletindo maior velocidade e capacidade defensiva em confrontos.

Outro fator determinante para o abastecimento amazônico é a ascensão das ghost guns — armas artesanais sem numeração de série, fabricadas em impressoras 3D com peças importadas ou produzidas clandestinamente. Com projetos disseminados via Telegram e deep web, a montagem dessas armas e a proliferação do calibre 9mm após flexibilizações legais recentes facilitaram o desvio do mercado interno e a substituição das rotas internacionais de contrabando, impondo desafios inéditos ao combate ao crime na região.

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