Inteligência Artificial, pensamento criativo, letramento tecnológico, empatia e aprendizagem contínua estão entre as competências em ascensão apresentadas durante a 9ª edição do evento

Em um mercado de trabalho cada vez mais impactado pela tecnologia e pelas mudanças nas relações profissionais, ter um diploma continua sendo importante, mas as habilidades demonstradas pelo trabalhador também ganham espaço nos processos de recrutamento e seleção. Esse novo olhar sobre os talentos foi o centro das discussões da 9ª edição do Conexão RH, realizada pelo Centro de Ensino Literatus.
Com o tema “Contratar pelo Diploma ou pela Habilidade? O novo olhar sobre talentos”, o encontro reuniu profissionais de Recursos Humanos e gestores no auditório da Câmara de Dirigentes Lojistas de Manaus (CDL Manaus) para discutir as transformações nos critérios de contratação, a formação profissional e as competências demandadas pelo mercado.
A palestra conduzida pelo psicólogo Elidio Batista, especialista em Desenvolvimento Humano e Organizacional, apresentou reflexões sobre como as empresas podem ampliar a identificação de talentos ao observar não somente diplomas e experiências profissionais anteriores, mas também as competências que cada candidato é capaz de demonstrar.
Entre as competências em ascensão no Brasil abordadas durante o encontro estão: Inteligência Artificial e Big Data, pensamento criativo, letramento tecnológico, empatia e escuta ativa, resiliência e flexibilidade, além da aprendizagem contínua.
Quantos talentos não estamos enxergando?
Um dos dados apresentados durante a palestra chamou a atenção para o impacto que uma seleção baseada em competências pode ter sobre o número de profissionais considerados para uma oportunidade.
Segundo o especialista, ao considerar competências em vez de restringir a busca ao histórico de cargos, o conjunto potencial de talentos no Brasil pode ser ampliado em cerca de 12,9 vezes, conforme pesquisas.
“Quando ampliamos o olhar para as competências e deixamos de restringir a seleção apenas ao histórico de cargos, aumentamos significativamente as possibilidades de encontrar bons profissionais. No Brasil, esse conjunto potencial de talentos pode ser ampliado em cerca de 12,9 vezes. Isso nos leva a uma pergunta importante: quantos talentos não estamos enxergando porque ainda selecionamos apenas pelo que está escrito no currículo?”, destacou.
A discussão não significa, entretanto, que o diploma esteja perdendo a função. A formação permanece fundamental, especialmente quando a profissão exige qualificação específica, atende a requisitos legais ou regulamentares ou depende de conhecimentos técnico-científicos.
“O diploma continua sendo importante, principalmente quando falamos de profissões que exigem formação específica, requisitos legais ou regulamentares e conhecimentos técnico-científicos. A discussão não é simplesmente escolher entre diploma ou habilidade, mas entender quais competências são necessárias para aquela função e como identificá-las no profissional”, explicou o psicólogo.

Diálogo entre educação e Recursos Humanos
Outro ponto discutido no Conexão RH foi a importância de aproximar instituições de ensino e profissionais de Recursos Humanos. Para Bianca Arirama, coordenadora do Programa de Aprendizagem do Centro de Ensino Literatus, o evento cria uma ponte entre quem atua na formação e quem acompanha, dentro das empresas, as transformações do mercado de trabalho.
“Para o Setor de Aprendizagem do Centro de Ensino Literatus, o Conexão RH é muito mais do que um encontro entre profissionais. É uma oportunidade de colocar em pauta assuntos que fazem parte do nosso dia a dia e que impactam diretamente a formação e o desenvolvimento de novos profissionais”, afirmou Bianca.
Segundo a coordenadora, discutir diploma e habilidade também exige reconhecer o potencial dos jovens que iniciam a trajetória profissional por meio da Aprendizagem ou do Estágio. “É nesse momento que eles começam a descobrir suas habilidades, desenvolver competências e entender o mercado de trabalho. E, muitas vezes, essa primeira oportunidade pode ser o começo de uma trajetória de crescimento dentro da própria empresa”, destacou.
Durante a palestra, foram abordados os conceitos de competências e as diretrizes que influenciam a construção dos currículos de formação. A discussão também chamou atenção para as particularidades regionais do país, uma vez que demandas profissionais, investimentos, legislação e características econômicas podem variar de uma região para outra.
No Amazonas, essa relação ganha contornos próprios diante da presença do Polo Industrial de Manaus, das características da economia regional e de editais, políticas e mecanismos de fomento que também repercutem na formação e na demanda por determinados perfis profissionais.
A aproximação entre educação e mercado, portanto, permite compreender quais transformações estão acontecendo nas organizações e preparar profissionais capazes de lidar tanto com conhecimentos técnicos quanto com novas competências comportamentais e tecnológicas.
Contratar é apenas o começo
O encontro também ampliou a discussão para a responsabilidade das organizações após a contratação. Além de encontrar profissionais com as competências necessárias, empresas e gestores precisam considerar o desenvolvimento dos colaboradores, as relações no ambiente de trabalho, a escuta e as condições que favorecem a permanência e o crescimento profissional.
Nesse cenário, competências como empatia, escuta ativa, resiliência, flexibilidade e capacidade de continuar aprendendo assumem relevância não somente para quem procura uma oportunidade, mas também para quem lidera equipes.
A 9ª edição do Conexão RH reforçou, assim, a proposta de aproximar educação, gestão de pessoas e mercado de trabalho, criando um espaço para discutir os desafios enfrentados tanto por quem prepara profissionais quanto por quem seleciona, contrata e desenvolve talentos.
Para o Centro de Ensino Literatus, a iniciativa também contribui para acompanhar as mudanças nas demandas profissionais e fortalecer o diálogo com empresas e gestores, buscando uma formação conectada às transformações do mundo do trabalho.


