
Pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) descobriram que o fungo Ophiocordyceps sp., famoso por infectar e controlar o comportamento de formigas na Floresta Amazônica, possui uma relação até então desconhecida com as plantas da região. Em estudo publicado na revista IMA Fungus, na terça-feira (4), a equipe identificou a presença do micro-organismo vivendo em musgos coletados na Reserva Florestal Adolpho Ducke, em Manaus.
Conhecido como fungo “zumbi”, o Ophiocordyceps altera o sistema nervoso de insetos e aranhas, forçando-os a realizar a chamada “mordida mortal” em folhas ou galhos para fixar o corpo antes de morrer. Essa manipulação permite ao parasita crescer e espalhar seus esporos. No entanto, o achado nos musgos revelou uma dinâmica diferente: o fungo parecia estar apenas se abrigando no vegetal, sem causar danos aparentes.
Por meio de análises de DNA, os cientistas detectaram o fungo em vegetais localizados a mais de 10 metros de distância de qualquer formiga infectada. A descoberta desafia o consenso científico de que esses micro-organismos dependem exclusivamente do parasitismo de insetos para completar seu ciclo de vida.
Segundo Tales Alves Jr., autor principal do estudo, a principal hipótese é que o fungo utilize os musgos como reservatório de sobrevivência durante períodos de escassez de hospedeiros. Os dados indicam que a ligação entre as plantas amazônicas e esses manipuladores de comportamento é muito mais próxima e ampla do que se imaginava.


