Portal Você Online

Hospital de Manaus de 153 anos pede recuperação judicial

Beneficente Portuguesa enfrenta dificuldades financeiras, está sem funcionar há cerca de dois meses e tenta reorganizar dívidas para evitar a falência.

A Real e Benemérita Sociedade Portuguesa Beneficente do Amazonas, mantenedora do hospital Beneficente Português, pediu recuperação judicial. A informação saiu hoje, dia 8/9, no Valor Econômico.

O processo tramita na 7ª Vara de Manaus. O anúncio identifica a instituição pelo CNPJ 04.382.792/0001-67 e pelo endereço da avenida Joaquim Nabuco, 1359, no Centro. O valor das dívidas não foi informado.

A recuperação judicial é uma tentativa de reorganizar as contas, negociar débitos com trabalhadores, fornecedores e outros credores e evitar a falência. Como o anúncio registra “recuperação judicial requerida”, o pedido ainda depende da análise da Justiça.

O hospital perdeu competitividade diante de unidades mais modernas, sofreu com a redução de receitas e passou a enfrentar dificuldades para pagar despesas trabalhistas, energia e fornecedores. A instituição estaria sem funcionar há aproximadamente dois meses.

Há informação de que interlocutores do hospital chegaram a procurar o Governo do Amazonas para discutir a possibilidade de a Universidade do Estado do Amazonas (UEA) comprar, alugar ou assumir a unidade. As conversas, porém, não avançaram para uma proposta formal.

História centenária

Fundada em 31 de outubro de 1873 por imigrantes portugueses, a Beneficente completará 153 anos em outubro. Sua sede atual foi inaugurada em 17 de dezembro de 1893, na antiga estrada Corrêa de Miranda, hoje avenida Joaquim Nabuco.

Durante décadas, o hospital foi mantido pelo esforço de integrantes da comunidade portuguesa e tornou-se uma das principais referências da saúde em Manaus. O empresário José Cruz, que presidiu a instituição por cerca de 30 anos, é lembrado pela dedicação diária ao funcionamento da unidade.

A comunidade portuguesa também lembra de José Azevedo, dona da TV Lar. Por muitos anos, ele socorreu financeiramente a instituição.

Prestígio

O hospital viveu seu período de maior prestígio entre as décadas de 1940 e 1990. A perda de receitas, as disputas internas e as dificuldades administrativas teriam se acentuado a partir deste século, até culminarem no pedido de recuperação judicial.

Notícias Relacionadas

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *