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Justiça nega liberdade a “Colômbia”; TRF-1 assume ocultação de cadáveres

Em decisões proferidas na última quinta-feira (9 de julho), a Vara Federal Cível e Criminal de Tabatinga manteve a prisão preventiva de Ruben Dario da Silva Villar, conhecido como “Colômbia”, e determinou o envio imediato ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) do processo que apura a ocultação dos cadáveres do indigenista Bruno Pereira e do jornalista Dom Phillips.

As medidas buscam garantir a ordem pública e evitar futuras nulidades jurídicas no caso que investiga os assassinatos ocorridos em junho de 2022, no Vale do Javari.

Risco de fuga e liderança criminosa mantêm “Colômbia” preso

O pedido de liberdade provisória, apresentado pela defesa de “Colômbia” nas alegações finais, solicitava a substituição da prisão preventiva por medidas cautelares alternativas. No entanto, a magistrada seguiu o parecer do Ministério Público Federal (MPF) e indeferiu o pedido.

Entre os argumentos para manter a prisão, a Justiça destacou que já existem indícios suficientes de autoria reconhecidos na decisão de pronúncia — que enviou o réu a júri popular. Além disso, Villar é apontado como suposto líder de uma organização criminosa violenta em outro processo.

O risco de fuga também foi decisivo: por ser cidadão colombiano e possuir residência declarada na tríplice fronteira (entre Brasil, Colômbia e Peru), a magistrada alertou que a falta de controle migratório efetivo na região poderia inviabilizar a aplicação da lei penal.

A Justiça abriu agora o prazo para que o MPF, a defesa e os assistentes de acusação se manifestem sobre o possível desaforamento (transferência de local) do júri de “Colômbia”.

Processo de ocultação de cadáveres é enviado ao TRF-1

Na mesma data, a subseção de Tabatinga decidiu suspender a prolação da sentença na ação penal que investiga os crimes de ocultação e destruição de cadáveres, além de corrupção de menores. O processo já teve a fase de instruções concluída, restando apenas o veredito.

Contudo, a juíza do caso entendeu que decidir o mérito agora poderia causar a nulidade do julgamento. Isso porque o processo principal, que apura os homicídios de Bruno e Dom, já teve seu julgamento transferido de Tabatinga para Manaus por ordem da Corte Especial do TRF-1. Como o Tribunal não havia se manifestado explicitamente sobre o destino da ação de ocultação de cadáveres, a magistrada enviou o caso para a instância superior.

O objetivo da remessa ao TRF-1 é definir se os efeitos da transferência para a capital amazonense também englobam essa ação paralela. A medida visa preservar a unicidade do julgamento, uma vez que, por estarem conectados pelos mesmos fatos, a competência dos crimes secundários pode ser atraída pelo próprio Tribunal do Júri.

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