A estação instalada em Manaus faz parte de uma rede composta por cinco unidades de referência implantadas em municípios estratégicos da Amazônia: Rio Branco (AC), Porto Velho (RO), Manaus (AM), Santarém (PA) e Belém (PA).

O Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) passará a divulgar boletins diários e semanais sobre a qualidade do ar em Manaus. A iniciativa visa monitorar a concentração de material particulado na atmosfera, índice que se agrava durante o período de estiagem e queimadas na região amazônica. A capital amazonense vem sofrendo diretamente com a fumaça de focos de incêndio do próprio estado e de unidades vizinhas, cenário que traz sérios riscos à saúde pública, sobretudo para crianças, idosos e gestantes.
O acompanhamento é viabilizado por uma nova estação de referência (modelo BAM 1022), instalada na sede da instituição a três metros de altura. O equipamento faz parte da Plataforma FioAres — financiada pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima — e integra uma rede presente em cinco municípios estratégicos: Rio Branco (AC), Porto Velho (RO), Manaus (AM), Santarém (PA) e Belém (PA). A coordenação nacional da plataforma é liderada pela pesquisadora Beatriz Oliveira, da Fiocruz Piauí.
Em Manaus, a coordenação local reúne os pesquisadores Fernanda Fonseca, Polari Batista e Paula Morelli, do ILMD/Fiocruz Amazônia, em parceria com o professor Rodrigo Souza, da Universidade do Estado do Amazonas (UEA). A estrutura mede continuamente o material particulado fino ($PM_{2,5}$), poluente de alto impacto para o sistema respiratório. Além do alerta à população, as medições servem para validar sensores de baixo custo e apoiar a pesquisa científica, a vigilância ambiental e a formulação de políticas públicas.
Alerta no ar da capital
Os primeiros dados já revelam um cenário crítico. No dia 23 de setembro, a estação registrou uma média diária de $55,7\ \mu g/m^3$ de $PM_{2,5}$ — índice aproximadamente 3,7 vezes superior ao limite máximo recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que é de $15\ \mu g/m^3$. As medições permaneceram acima do teto seguro durante as 24 horas do dia, atingindo um pico de $119,1\ \mu g/m^3$ às 6h.
“A exposição contínua da população a níveis elevados de material particulado fino evidencia a importância do monitoramento permanente da qualidade do ar e da adoção de medidas preventivas”, alerta o pesquisador Polari Corrêa.
Diante do quadro, especialistas recomendam reforçar os cuidados diários, como o uso de máscaras de proteção, hidratação constante e a suspensão provisória de atividades físicas ao ar livre. Os informes diários e boletins semanais ficam disponíveis na página oficial da Fiocruz Amazônia, na aba Informes Diários e Boletins Semanais de Qualidade do Ar.


