Polícia Federal cumpre mandados de prisão contra doleiros em nova fase da Lava Jato

Os doleiros investigados eram chefiados por Sérgio Cabral, ex-governador do Rio .

Agentes da Polícia Federal e do Ministério Público Federal cumprem mandados de prisão e busca e apreensão em nova fase da “Operação Câmbio, Desligo”, desdobramento da Lava Jato, na manhã desta quarta-feira (20), em São Paulo.

Nesta fase, a polícia apura esquema de evasão de divisas, lavagem de dinheiro e corrupção chefiados pelo ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral.

Os mandados foram expedidos pelo juiz Marcelo Bretas da 7ª Vara Federal Criminal do RJ. 

A polícia chegou aos doleiros investigados a partir das delações premiadas de Vinicius Clarer e Cláudio Fernando Barboza. Os mandados de prisão preventiva são contra Sérgio Guaraciaba Martins Reinas, Nissim Chreim e Thânia Nazli Battat Chreim. O mandado de prisão temporária é contra Jonathan Chahoud Chreim. 

O Ministério Público Federal (MPF) denunciou pela 29ª vez, nesta terça-feira (19), o ex-governador do Sérgio Cabral (MDB), na operação Consigliere, uma das fases da Lava Jato no estado.

Em nota, a defesa de Cabral afirmou que “o ex-governador se apresentou voluntária e espontaneamente ao MPF para esclarecer detalhes desse fato, de modo que espera uma redução de pena ou mesmo que seja concedido o perdão judicial”.

Sérgio Cabral é denunciado pela 29ª vez na Lava Jato

Cabral responde a outros 28 processos, tendo sido condenado em nove deles, em penas que somam quase 200 anos. São elas:

  • Corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa,referente à “taxa de oxigênio” na Operação Calicute;
  • Corrupção passiva e lavagem de dinheiro, por recebimento de propinas nas obras do Comperj, dentro da Lava Jato;
  • Corrupção passiva, lavagem de dinheiro e evasão de divisas, por favorecimento de empreendimentos de Eike Batista na Operação Eficiência;
  • Lavagem de dinheiro, por operações com doleiros no total de R$ 39 milhões, segundo denúncias na Calicute e Eficiência;

Lavagem de dinheiro, totalizando mais de R$ 10 milhões, em denúncia elaborada na Operação Mascate;

  • Fraude a licitação e formação de cartel, em desvio de recursos em obras do PAC das Favelas e da reforma do Maracanã, num total de mais de R$ 700 milhões desviados, segundo descobertas das operações Saqueador e Calicute;
  • Fraude a licitação, formação de cartel e lavagem de dinheiro, por fraudes em licitações e superfaturamento de obras públicas, como a reurbanização da Rocinha, a construção do Arco Metropolitano e a Linha 4 do metrô, com base nas investigações da Calicute, Eficiência e Tolypeutes;
  • Lavagem de dinheiro, em propina da empreiteira no Complexo de Manguinhos, no PAC das Favelas, em denúncia elaborada nas operações Calicute e Eficiência;
  • Lavagem de dinheiro, por meio de compra de joias em dinheiro e sem nota fiscal, num total de R$ 11 milhões.

Chefe e coronel denunciados

Nesta terça (19), também foram denunciados Regis Fichtner, que foi secretário estadual da Casa Civil nos dois mandatos de Cabral, e o coronel da Polícia Militar Fernando França. Eles são acusados pelos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Fichtner e França foram presos preventivamente no mês passado, na operação Consigliere, mais um desdobramento da Lava Jato no Rio.

Regis é acusado pelos procuradores de ter recebido R$ 4,9 milhões em propina, com anuência do então governador Sérgio Cabral. Já o coronel Fernando França é acusado de ser o operador financeiro de Regis.

A propina era paga pelos doleiros Renato e Marcelo Chebar, Cláudio Barbosa, o Tony, e Vinicius Claret, o Juca Bala. Todos são delatores da lava jato. Segundo a denúncia, a propina era entregue em dinheiro vivo através da transportadora de valores TransExpert.

Os procuradores calcularam o valor total da propina paga a Regis através da soma dos valores encontrados no sistema de contabilidade ST, controlado pelos doleiros Tony e Juca Bala, e os valores constantes nos recibos da TransExpert.

Segundo a denúncia, Régis Fichtner é figura central do braço administrativo da organização criminosa chefiada por Cabral. Como chefe da Casa Civil, era o responsável por articular os atos de governo mais importantes, usando de sua habilidade jurídica para buscar soluções para justificar, por exemplo, alterações contratuais, editais de licitação, benefícios fiscais ou mesmo a contratação de obras.

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